pensamento sistêmico

Da consciência ego-sistêmica à consciência eco-sistêmica

Da consciência ego-sistêmica à consciência eco-sistêmica

[Este texto é parte do material de apoio da jornada Em busca da Visão – propósito pessoal a serviço de Gaia cuja versão online será lançada no começo de 2020]

“No estado presente das coisas, a sobrevivência da humanidade depende de que as pessoas desenvolvam uma preocupação sincera com toda a humanidade e não apenas com sua própria comunidade ou nação. A realidade da nossa situação nos impele a agir e a pensar com mais clareza. A mentalidade estreita e o pensamento autocentrado podem ter nos servido bem no passado, mas hoje só poderá nos levar ao desastre.” — Joanna Macy

Otto Scharmer, professor titular do Instituto de Tecnologia de Massachusetts e co-fundador do Presencing Institute, também entende que vivemos um processo de transição de histórias e de consciências. Para ele, é fundamental e inevitável a aceleração de mudanças de paradigma e, mais profundamente, a mudança de uma consciência ego-sistêmica para uma consciência eco-sistêmica.

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O mundo como um iceberg

O mundo como um iceberg

[Este texto é parte do material de apoio da jornada Em busca da Visão – propósito pessoal a serviço de Gaia cuja versão online será lançada no começo de 2020]

“A primeira condição para modificar a realidade consiste em conhecê-la.” — Eduardo Galeano

Toda e qualquer mudança começa com a investigação das questões estruturais e dos paradigmas de pensamento mais profundos que nos fazem colocar em cena, repetidamente, os mesmos problemas.

Enquanto humanidade nós temos grandes problemas:

  • Uma pegada ecológica de 1,5 planetas;
  • 3,4 bilhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza;
  • 8 bilionários com a riqueza equivalente de 3,6 bilhões de pessoas;
  • O 1% mais abastado da população mundial equivalente à riqueza dos 99% restantes;
  • 300 milhões de pessoas acometidas por depressão;
  • 883 mil suicídios a cada ano;
  • Mais pessoas se matando do que mortas em assassinatos, guerras e desastres naturais.

Ninguém está acordando de manhã e se preparando para mais um dia de destruição da natureza, de violência contra outras pessoas e querendo aumentar seu próprio nível de infelicidade. Mas é exatamente isso que estamos fazendo.

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A separação espiritual ou psicológica

A separação espiritual ou psicológica

[Este texto é parte do material de apoio da jornada Em busca da Visão – propósito pessoal a serviço de Gaia cuja versão online será lançada no começo de 2020]

Por todo o mundo as pessoas concordam que a civilização moderna está falida e que enfrentamos enormes desafios que nos exigem uma profunda mudança pessoal e social. Provavelmente não concordamos em relação às soluções, mas concordamos sobre os problemas. Podemos resumir os problemas do mundo em três cenários: a separação ecológica, a separação social e a separação espiritual ou psicológica¹.

A separação espiritual ou psicológica

Enquanto a separação ecológica trata da desconexão entre o “eu” e a “natureza” e a separação social da desconexão entre o “eu” e o “outro”, a separação espiritual ou psicológica diz respeito à desconexão entre o “eu” e o “Eu” — entre quem eu sou hoje e quem eu posso ser amanhã. O “eu” representa também o nosso “eu limitado” enquanto o “Eu” trata do “eu potencial”. 

A desconexão entre esses dois “eus” resulta na intensificação de sintomas de stress, esgotamento, ansiedade, depressão e até risco de suicídio. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a depressão é um transtorno comum em todo o mundo atingindo mais de 300 milhões de pessoas pelo globo. Diferente de uma tristeza transitória, ela é uma doença psiquiátrica crônica e recorrente caracterizada por alteração de humor associada a sentimentos de amargura, desencanto, desesperança, baixa autoestima e culpa. 

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A Tétrade

A Tétrade

Uma ferramenta sistêmica para a mudança de ordem

O principal objetivo de atividades estruturadas é a mudança de ordem. Precisamos transformar algo simples em algo mais complexo e ordenado. Ao cozinhar transformamos alimentos não preparados em uma refeição. Ao tecer fazemos de fios tramas complexas e úteis. Atividades cognitivas seguem a mesma lógica: conferimos sentido à símbolos e transformamos percepções em aprendizados. Estas atividades são estruturadas. Elas possuem uma intenção clara e são organizadas para que uma mudança ocorra.

Acontece que geralmente lidamos com os nossos projetos, como empreender ou se formar, com pouca clareza e orientação. E isso é meio caminho andado para resultados abaixo da nossa expectativa.

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Crise de percepção

Crise de percepção

As crises ecológica, social e econômica não são crises distintas e separadas, mas diferentes expressões de uma só: a crise de percepção.

Vivemos um paradoxo: nos orgulhamos da racionalidade humana e dos feitos tecnológicos, mas é esse mesmo pensamento a causa dos nossos maiores problemas. Esta é a tese central do autor Fritjof Capra e de outros pensadores.

A mentalidade dominante da sociedade hoje possui origem no encantamento com a máquina. Esta foi uma grande novidade e motivo de fascínio: “um instrumento grandioso fruto da racionalidade humana que irá solucionar muitos problemas e aliviar o sofrimento das pessoas”. Hoje, essa abordagem ainda sustenta manchetes como “Esta gigantesca máquina que remove CO2 do ar poderá transformar a luta contra a mudança climática”.

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Duas visões de mundo, dois paradigmas de sustentabilidade

Duas visões de mundo, dois paradigmas de sustentabilidade

A sustentabilidade tecnológica e a sustentabilidade ecológica são frutos de duas visões de mundo distintas: a mecanicista e a ecológica.

Há uma mudança de mentalidade em curso, que parte de uma visão de mundo mecanicista e chega a uma visão de mundo ecológica (CAPRA e LUISI, 2014). Esta mudança é, essencialmente, uma mudança de metáforas: de uma que vê o mundo como uma máquina para uma que o entende como uma rede.

Capra e Luisi (2014) descrevem esta mudança como uma tensão básica entre as partes e o todo. A ênfase nas partes tem sido chamada de mecanicista, reducionista ou atomista; a ênfase no todo de holística ou ecológica. Na ciência do século XX, a perspectiva holística tornou-se conhecida como “sistêmica”, e a forma de pensar que esta implica de “pensamento sistêmico”.

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Entendendo o lugar como um sistema vivo

Entendendo o lugar como um sistema vivo

Ver os lugares como sistemas vivos nos faz perceber relações ocultas e pontos de intervenção poderosos

O desenvolvimento regenerativo tem como premissa básica o entendimento do lugar a partir de uma visão sistêmica. Nicholas Mang (2009), em seu trabalho The Rediscovery of Place and Our Human Role Within It, traz uma importante contribuição ao definir o fenômeno “lugar” a partir de uma visão dos sistemas vivos.

A resposta para a pergunta “O que é o lugar?” foi sintetizada em seis atributos distintos. São eles: (1) Interconectado e aninhado, (2) Delimitado e único em sua identidade, (3) Agregador de valor, (4) Concentrador e enriquecedor, (5) Magnético e ordenador e (6) Dinâmico e evolucionário.

Juntos, estes seis atributos ajudam a identificar e definir o que é o lugar, assim como oferecem um meio para avaliar o grau de saúde, equilíbrio e integração do lugar como um fenômeno vivo.

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Fundamentos dos sistemas vivos

Fundamentos dos sistemas vivos

Entender como os sistemas vivos funcionam é a base para o desenvolvimento regenerativo

Um entendimento claro dos princípios ecológicos é fundamental para a prática do desenvolvimento regenerativo. Estes conceitos orientarão tanto a maneira de se pensar e conduzir os processos de concepção e design, assim como guiarão as práticas e ações em campo. Tais princípios, em última análise, descrevem os padrões e processos pelos quais a natureza sustenta a vida. A seguir, de forma sucinta, começaremos a explorar os princípios ecológicos de redes, sistemas aninhados (holarquias), ciclos, fluxos, desenvolvimento e equilíbrio dinâmico.

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As principais características do pensamento sistêmico

As principais características do pensamento sistêmico

O mundo como uma máquina dá lugar a um mundo como redes ou como sistemas dentro de sistemas vivos.

O pensamento sistêmico é fundamental para entender ambientes complexos e propor soluções aos desafios do nosso tempo. Assim, mudanças no pensamento e na prática são fundamentais e entendê-las é o primeiro passo para a prática sistêmica. Neste artigo abordaremos as principais mudanças necessárias para o pensamento sistêmico. São elas: das partes para o todo, dos objetos para os relacionamentos, da medição para o mapeamento, do conhecimento objetivo para o conhecimento contextual e da estrutura para o processo.

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O papel da visão de mundo na construção de uma sociedade viável

O papel da visão de mundo na construção de uma sociedade viável

O termo visão de mundo pode ser entendido como a lente que utilizamos para enxergar, interpretar e nos relacionar com o mundo. É um sistema de crenças inter-relacionadas que age como um filtro através do qual o fenômeno é percebido e compreendido. Pessoas diferentes — com culturas, histórias e meios de convívio distintos — interpretarão um mesmo acontecimento de forma particular. Um aspecto crucial deste entendimento é que o filtro da visão de mundo opera majoritariamente de forma invisível aos indivíduos e organizações cujo pensamento e comportamento influencia. Não só, a visão de mundo define o que pode e o que não pode ser conhecido ou feito, quais objetivos devemos buscar e quais caminhos é possível trilhar. De forma geral, a visão de mundo é construída através das histórias que nos contam e que contamos sobre o mundo, a sociedade e nós mesmos.

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