A Tétrade

A Tétrade

Uma ferramenta sistêmica para a mudança de ordem

O principal objetivo de atividades estruturadas é a mudança de ordem. Precisamos transformar algo simples em algo mais complexo e ordenado. Ao cozinhar transformamos alimentos não preparados em uma refeição. Ao tecer fazemos de fios tramas complexas e úteis. Atividades cognitivas seguem a mesma lógica: conferimos sentido à símbolos e transformamos percepções em aprendizados. Estas atividades são estruturadas. Elas possuem uma intenção clara e são organizadas para que uma mudança ocorra.

Acontece que geralmente lidamos com os nossos projetos, como empreender ou se formar, com pouca clareza e orientação. E isso é meio caminho andado para resultados abaixo da nossa expectativa.

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Descolonizar é preciso

Descolonizar é preciso

Ainda que os regimes coloniais institucionalizados tenham acabado, a herança colonial permeia a estrutura social e a mentalidade das pessoas. A colonialidade é a face oculta da modernidade que persiste nos dias atuais. Descolonizar segue sendo preciso e urgente.

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Posted by Juliana Diniz in Artigo, 0 comments
Crise de percepção

Crise de percepção

As crises ecológica, social e econômica não são crises distintas e separadas, mas diferentes expressões de uma só: a crise de percepção.

Vivemos um paradoxo: nos orgulhamos da racionalidade humana e dos feitos tecnológicos, mas é esse mesmo pensamento a causa dos nossos maiores problemas. Esta é a tese central do autor Fritjof Capra e de outros pensadores.

A mentalidade dominante da sociedade hoje possui origem no encantamento com a máquina. Esta foi uma grande novidade e motivo de fascínio: “um instrumento grandioso fruto da racionalidade humana que irá solucionar muitos problemas e aliviar o sofrimento das pessoas”. Hoje, essa abordagem ainda sustenta manchetes como “Esta gigantesca máquina que remove CO2 do ar poderá transformar a luta contra a mudança climática”.

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O seu projeto é a sua revelação

O seu projeto é a sua revelação

O seu projeto não é apenas um projeto. Não é a soma das plantas baixas das suas edificações e nem o conjunto de suas diretrizes internas. Não é a sua cadeia de produção e nem o serviço que você presta.

A sua empresa ou organização não é apenas isso: uma empresa ou uma organização. Ela é a expressão última do seu ser. É o reflexo das suas percepções básicas sobre o mundo, das suas ideologias invisíveis e do seu sistema de crenças. Ela é a sua assinatura energética, a sua declaração de visão e o seu voto de confiança. É a sua maior contribuição para o futuro que você ajuda a construir hoje.

O seu projeto é muito mais do que um projeto. É o seu veículo de liderança, o seu instrumento para a transformação e o seu desejo revelado. É a história que você conta e é o que diz para o mundo sobre as histórias que você acredita. O seu projeto é a sua revelação, é a sua história, as marcas da sua evolução e a trilha da sua caminhada.

A todo momento precisamos escolher. Hoje você pode escolher contar uma nova história. Pode reinventar o seu projeto e transformar o seu futuro. Pode alinhar a sua ação com aquilo que você acredita que há de melhor em você. Pode começar a construção do legado que amanhã irá te orgulhar.

Foto: Quino Al

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Um mundo vivo

Um mundo vivo

Não só fazemos parte de uma teia viva como o planeta em si é uma entidade viva: Gaia. Essa percepção nos dá uma nova motivação enquanto sociedade. Os nossos dons e talentos — cultura e tecnologia, por exemplo — ganham um novo sentido.

Não mais temos que impor o nosso design no mundo através da dominação pois reconhecemos que existe uma inteligência viva. O mundo deixa de ser uma aleatoriedade errante e passa a ser um organismo vivo e inteligente. O planeta passa a ter uma essência e um sonho.

O nosso papel, então, é contribuir para a realização deste sonho. Abdicamos do nosso ímpeto colonizador, aquele que quer conhecer para dominar, e reconhecemos Gaia. Ao reconhecer Gaia, nos percebemos enquanto co-criadores da vida.

O nosso objetivo, então, é participar de forma apropriada. Observar, ouvir, sentir, pensar… para então contribuir. Contribuir com Gaia, que é, de fato, contribuir com nós mesmos.

Foto: Christopher Alvarenga

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Aprender a desaprender

Aprender a desaprender

Para que aprendizados profundos ocorram, aqueles que mudam vidas e organizações, é necessário aprender a desaprender.

Nós aprendemos sobre como o mundo funciona, qual a nossa identidade, quais sonhos são válidos e como devemos nos comportar. Isso nos dá uma estrutura que sustenta as nossas opiniões. Precisamos abalar essa estrutura.

É preciso cultivar a desaprendizagem, dissolver a rigidez e abrir espaço para novas percepções. Desaprender talvez seja o maior aprendizado — esquecer o velho e inadequado para alinhar-se com o futuro.

Isso porque ao desaprender damos as boas vindas à reinvenção. Podemos fazer isso nos dando conta de que encaramos o mundo através de uma lente específica — que herdamos hábitos e protocolos de concepções ultrapassadas — e assim suspender essas premissas, reavaliá-las e escolher a direção que nos faz sentido.

Somando-se a isso temos outro elemento importante: a urgência. Os tempos são urgentes, vamos desacelerar. Este é o conselho contraintuitivo do autor Bayo Akomolafe. O mundo clama por transformações urgentes. Vamos então nos aquietar. A pressa por respostas tece o problema junto à solução. Então não tenha pressa.

Assim, desacelerar abre espaço para o desaprender. Desaprender abre espaço para melhores perguntas que, por sua vez, geram respostas condizentes com os desafios de nosso tempo.

Partindo do ensinamento de Bayo, podemos dizer: O conhecimento é a maior riqueza da humanidade, vamos desaprender.

Foto: Ivan Bandura

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Vamos conseguir?

Vamos conseguir?

Seremos capazes de superar os desafios de nosso tempo e construir um mundo viável? Não é tarde demais? Difícil demais?

Esta é uma indagação comum dos agentes de transformação. E quando dirigida a mim, eu respondo: não importa.

Não me interessa calcular as chances da humanidade sair da armadilha que criou para si. Não me interessa nem mesmo sustentar a civilização como está.

Mas me interessa contribuir a partir da minha melhor visão. Isso porque sei que o futuro se faz a partir de sucessivos presentes. E viver hoje da forma como acreditamos que devemos viver, desafiando tudo o que há de ruim a nossa volta, é por si só uma vitória maravilhosa.

A salvação da humanidade, esta tarefa colossal, não cabe a nós. Isso é um equívoco. Não é este o nosso objetivo.

O nosso objetivo é criar ilhas de sanidade em um mar de intolerância, egoísmo e ganância.

Você pode, com a influência que possui, criar espaços potentes para trabalhar e vivenciar aquilo que você acredita ser a melhor expressão da humanidade. Você pode viver o futuro hoje.

Em tempos incertos, quem escolhemos ser?

Foto: Clkraus

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Como as mudanças acontecem?

Como as mudanças acontecem?

Somos ignorantes quanto a natureza dos processos de mudança. Diante a urgência de mudar cenários sociais negligenciamos a complexidade do mundo e do ser humano. O resultado disso é que priorizamos pelo que lutar em relação ao como lutar. Inevitavelmente, reproduzimos comportamentos que criam resultados diferentes dos que pretendíamos. Como sair dessa cilada? Entender como as mudanças pessoais e sociais acontecem é o primeiro passo.

Este é o quinto texto de uma sequência de cinco artigos que nos convoca a assumir o papel de ativistas radicais a serviço da construção de um mundo possível. A sequência é: Nós somos aqueles por quem esperávamos, O paradoxo do ativismo conservador, O ativismo radical, Como vemos o mundo? e Como as mudanças acontecem?. Acompanhe e assuma a sua identidade enquanto agente de transformação neste mundo em transição.

O que está por trás dos feitos revolucionários?

Existe uma ignorância total sobre os processos de mudança. Endeusamos líderes responsabilizando-os pelo sucesso ou fracasso das viradas históricas. No contexto das revoluções o grande público fica sabendo de apenas 1% do processo revolucionário: o enfrentamento direto (Barter, 2016). Mas a mudança social acontece através de um processo de construção coletiva e prática contínua dos valores que orientam a transformação pretendida. Este trabalho demorado e árduo permanece invisível.

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Posted by Juliana Diniz in Artigo, 2 comments
Como vemos o mundo?

Como vemos o mundo?

O modo como vemos o mundo deve ter centralidade se quisermos agir como ativistas radicais. Nós criamos o mundo a partir de como o enxergamos. Perceber o quê e como enxergamos é tarefa indispensável em direção à construção de um mundo viável.

Este é o quarto texto de uma sequência de cinco artigos que nos convoca a assumir o papel de ativistas radicais a serviço da construção de um mundo possível. A sequência é: Nós somos aqueles por quem esperávamos, O paradoxo do ativismo conservador, O ativismo radical, Como vemos o mundo? e Como as mudanças acontecem?. Acompanhe e assuma a sua identidade enquanto agente de transformação neste mundo em transição.

Coisas versus significados

Apesar da ciência ocidental reivindicar para si o lugar de autoridade sobre a realidade das coisas, o ser humano não vê coisas, mas significados. A todo o momento levamos o nosso pensamento a criar o que achamos que estamos enxergando como a percepção pura das coisas. E enxergar sentido ou significado é diferente de ver coisas. O significado vive entre a percepção pura que os sentidos alcançam e o reconhecimento da mesma.

Nós vivemos em um mundo de significados e atribuímos significado ao mundo. A maneira como a humanidade apreende os fenômenos da vida é organizando, através da atividade do pensamento, as informações que chegam pelos sentidos. O mundo, consequentemente, vive entre nós e o que parece estar lá fora. Ele surge da conversa entre a experiência e a atribuição de sentido. Criamos o mundo através do sentido que atribuímos a ele.

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Posted by Juliana Diniz in Artigo, 0 comments
O ativismo radical

O ativismo radical

A radicalidade do ativismo está em assumir a transformação de si mesmo e do seu modo de enxergar como a mudança que o mundo precisa

Este é o terceiro texto de uma sequência de cinco artigos que nos convoca a assumir o papel de ativistas radicais a serviço da construção de um mundo viável. A sequência é: Nós somos aqueles por quem esperávamos, O paradoxo do ativismo conservador, O ativismo radical, Como vemos o mundo? e Como as mudanças acontecem?. Acompanhe e assuma a sua identidade enquanto agente de transformação neste mundo em transição.

O ativismo reúne aquilo que há de mais essencial no ser humano: a consciência, a liberdade e a responsabilidade.Todos nós somos potenciais ativistas já que a prática ativista significa intervir na realidade em consequência do nosso poder de fazer escolhas conscientes sobre para onde queremos que o mundo caminhe.  

No entanto, a humanidade tem fortes tendências ao conservadorismo porque aprendemos a inventar justificativas para os nossos comportamentos. Queremos a mudança lá fora sem ter que enfrentar o desconforto de desconstruir e reconstruir quem somos. Julgamos as pessoas por suas ações, mas queremos ser julgadas por nossas intenções.

O ativismo radical, na contramão do conservadorismo, entende que qualquer comportamento que precise ser justificado é, por definição, condenável. A sua radicalidade está no fato de que a transformação de si mesmo e de seu modo de enxergar é a mudança que quer ver no mundo.

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Posted by Juliana Diniz in Artigo, 0 comments
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