Coronavírus e o futuro em disputa

Coronavírus e o futuro em disputa

03/04/2020

Bem-vindos à intimidade latente do colapso global

Já está claro que o mundo não será o mesmo. A cultura, as instituições e as pessoas estão sendo profundamente afetadas. A pandemia nos atravessa e não há dúvidas que sairemos diferentes. Nos resta saber, agora, se sairemos seres humanos melhores ou piores.

Neste texto eu exploro o não saber e a incerteza, a necessidade de honrar a dor e não correr para saídas rápidas, o luto coletivo, o surgimento de uma nova janela de possibilidades, o futuro em disputa, a inteligência cega, o risco do totalitarismo e a mentalidade da guerra, a imaginação, a geração de sentido, o interser e futuros possíveis.

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#10 Do colapso civilizatório a sistemas humanos resilientes | com Jerome Sensier

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Jerome Sensier é francês e mora no Brasil há quatro anos. Ele é geógrafo-urbanista de formação e pesquisador independente dos temas: crises climáticas e energéticas e risco de colapso sistêmico da sociedade industrial. Nos últimos anos, se engajou com a Permacultura, novos sistemas de governança e gestão de projetos. No início de 2019, junto com o cineasta Victor Mal, criou a Rizomar — uma associação sem fins lucrativos que fomenta a resiliência local em escala biorregional pensando estratégias transversais e inovadoras para fazer frente ao paradigma de escassez e instabilidade que estamos vivendo.

Dentro da Rizomar, a iniciativa “Corra para o verde” apoia o processo de pessoas interessadas em realizar a transição para o campo. Eles direcionam as pessoas para biorregiões refúgio — territórios que apresentam características propícias para resiliência local — e as auxiliam desde a compra da terra até a construção de um projeto de permanência.

Para saber mais sobre a Rizomar assista a este webinário e demonstre o seu interesse aqui.

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A dor do mundo e a cura planetária

A dor do mundo e a cura planetária

O amortecimento da dor

“Resistir a informações dolorosas, alegando que não podemos fazer nada, resulta menos da impotência (medida pela nossa capacidade de efetuar mudanças) do que do medo de nos sentirmos impotentes.” — Joanna Macy

Nós pensamos que o fato de reproduzirmos globalmente resultados que não queremos se deve à ignorância e indiferença das pessoas em relação ao que precisa ser transformado. É comum pensar que as pessoas não têm noção do que está acontecendo no mundo ou que, se sabem, simplesmente não se importam. No entanto, todos os dias somos confrontados com notícias que evidenciam a insanidade humana. Nos noticiários isso é tudo o que se veicula e é como, inclusive, se faz audiência. As dores do mundo estão evidentes. Apesar disso, permanecemos indiferentes. 

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#9 Ação no mundo com consciência plena | com Miho Mihov

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Além das dualidades aparentes e das construções conceituais

Neste episódio conversamos com o Miho, nascido na Bulgária e residente no Brasil, co-fundador do Sattva Tantra e do movimento Despertar na Prática. Com vinte anos começou a viajar pelo mundo realizando trabalhos humanitários voluntários e vivendo em ecovilas. Suas experiências o levou a se aprofundar no universo da sustentabilidade, da espiritualidade e das relações conscientes. Hoje ele atua na interface entre autoconhecimento e ação no mundo através de trabalhos com grupos, fundamentados em práticas de consciência plena, que promovam o despertar na prática.

Miho nos alerta que talvez o mais importante que tenhamos pra fazer agora é parar de fazer. É migrar de um lugar interno de escassez e reatividade onde reinam aparentes dualidades e construções conceituais para um lugar onde não há separação nem identificação com papéis limitadores. Ele nos convida a adentrar um lugar interno de abertura e criatividade de onde pode nascer o sentido e contentamento que buscamos como seres humanos.

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Do caos global à resiliência interna

Do caos global à resiliência interna

Atravessando o colapso em conexão com a vida

Desde o ano passado, muitas tragédias atravessam as nossas vidas. Avanço de governos anti-progressistas, escalada de tensão entre regimes imperialistas, crises políticas em toda a América Latina, crimes ambientais no Brasil, gravíssimos incêndios na Austrália e Amazônia, aceleração das mudanças climáticas e recordes de calor — só para citar alguns.

Eventos de ordem política, social e ecológica continuamente nos tiram do aparente conforto individualista e evidenciam a nossa interdependência.

E agora uma pandemia — de alguma forma previsível, mas totalmente negligenciada — muda os nossos hábitos, nos faz suspender premissas nunca questionadas, corporificar princípios até então abstratos, experimentar emoções que tanto evitamos e confrontar verdades desconcertantes.

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A dança da floresta

A dança da floresta

E o que podemos aprender enquanto humanos e humanidade

A floresta revela uma inteligência bela e sutil. É um sistema de alta sinergia onde o interesse particular de uma espécie está em harmonia e contribui para a evolução da floresta como um todo. É uma dança harmoniosa de revelar-se e de criar condições para que outros seres também possam se revelar.

Temos na floresta, de forma simplificada, a cada momento do seu estágio de evolução, plantas com duas essências particulares: aquelas que criam e aquelas que são criadas. As árvores nunca ocorrem de forma isolada. Elas só existem pois estão em um relacionamento simbiótico profundo com outras plantas e animais.

Assim, observamos um padrão onde determinadas espécies criam as condições para que outras espécies possam prosperar. Ou seja, espécies criadoras suportam condições adversas e contribuem para a melhoria do ambiente de forma que espécies mais exigentes, as criadas, possam revelar o seu potencial. É a vida criando condições propícias para a vida em um maior nível de organização e complexidade. É a evolução dirigida por relações sinérgicas.

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#8 Em busca de um novo órgão de percepção | com Juliana Diniz

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Neste episódio damos boas vindas à Juliana Diniz, co-fundadora do IDR, onde cuida da primeira e segunda linha de trabalho do desenvolvimento regenerativo: as competências necessárias ao praticante regenerativo e a construção de campos vitalizadores nas equipes de trabalho. Além disso, ela fundamenta as bases filosóficas do IDR a partir dos seus estudos e experiências em fenomenologia, antroposofia, salutogênese, ecologia profunda e ecopsicologia, paradigma decolonial e não-violência. Aqui ela compartilha a sua trajetória a partir de quatro grandes rios por onde flui a sua vida e trabalho: cosmovisões não ocidentais; ecofilosofia; desenvolvimento humano; facilitação de grupos e desenho de projetos.

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Emergência e uma nova história do universo e da civilização

Emergência e uma nova história do universo e da civilização

Este texto é a transcrição de uma palestra inspiradora do filósofo e empreendedor Daniel Schmachtenberger, co-fundador da Neurohacker Collective.

Nesta fala Daniel explora como o fenômeno da emergência, a partir de uma interseção de diferentes ciências, pode informar uma nova história para o universo e para a humanidade. Ao entender os seres humanos como parte de um processo evolucionário dotados de consciência auto-reflexiva, podemos nos colocar como agentes conscientes da evolução e definir intenções para a humanidade que seja ao mesmo tempo harmoniosa para toda a comunidade de vida de um planeta profundamente interconectado. Esta narrativa, muito bem tecida e fundamentada, constrói as bases para o que podemos chamar de Culturas Regenerativas.

Assista ao vídeo original e veja a transcrição em inglês feita pelo site Inside Out. 


O que eu quero falar hoje é o que é a emergência como um fenômeno, como uma propriedade que é realmente essencial para entender a natureza do universo em que vivemos — essencial para entender o que significa ser humano e essencial para entender a base do significado da ética e do existencialismo — e também o que isso indica para o futuro da civilização abordando algumas coisas que são preocupantes e excitantes ao mesmo tempo. Você pode considerar essa conversa como uma espécie de ode extemporânea e divagante ao fenômeno da emergência em si — um tipo de conversa de amor sobre o quão fantástico é o universo possuir essa propriedade e que nós podemos entendê-la e participar no fenômeno.

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Acordar a gratidão

Acordar a gratidão

“Nós temos que ter coragem de ser radicalmente vivos. E não negociar sobrevivência.”  — Ailton Krenak

Qual o lugar da apreciação, da gratidão e da celebração nas nossas vidas? Existir neste contexto planetário e tempo histórico é um motivo suficiente pelo qual sermos gratos?

A palavra “gratidão” se tornou recorrente nas nossas interações. Às vezes ela até pode soar piegas, um vício verbal new age esvaziado de significado.

Com a Ecologia Profunda e o trabalho da Joanna Macy, essa palavra ganhou um sentido diferente e muito potente pra mim.

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O que é o Desenvolvimento e Design Regenerativo e como ele pode (ou não) te ajudar

O que é o Desenvolvimento e Design Regenerativo e como ele pode (ou não) te ajudar

O Desenvolvimento e Design Regenerativo (DDR), concebido pelo Grupo Regenesis, é uma metodologia de gestão de projetos orientada pela visão sistêmica da vida.

Sendo um método, é um conjunto de conceitos, frameworks e práticas agrupados de forma coerente formando um arcabouço teórico robusto com a finalidade de conduzir a concepção e a execução de projetos.

Sendo uma metodologia orientada pela visão sistêmica da vida, o DDR possui uma forma particular de enxergar o mundo, os seres humanos e o papel destes na teia da vida. Essa visão de mundo particular implica a superação de um modelo mental antigo, que pode ser chamado de paradigma mecanicista, e convida uma nova perspectiva, o paradigma ecológico ou a visão sistêmica da vida. Essa mudança de paradigma é acompanhada de uma mudança de práticas.

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