Acordar a gratidão

Acordar a gratidão

“Nós temos que ter coragem de ser radicalmente vivos. E não negociar sobrevivência.”  — Ailton Krenak

Qual o lugar da apreciação, da gratidão e da celebração nas nossas vidas? Existir neste contexto planetário e tempo histórico é um motivo suficiente pelo qual sermos gratos?

A palavra “gratidão” se tornou recorrente nas nossas interações. Às vezes ela até pode soar piegas, um vício verbal new age esvaziado de significado.

Com a Ecologia Profunda e o trabalho da Joanna Macy, essa palavra ganhou um sentido diferente e muito potente pra mim.

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O que é o Desenvolvimento e Design Regenerativo e como ele pode (ou não) te ajudar

O que é o Desenvolvimento e Design Regenerativo e como ele pode (ou não) te ajudar

O Desenvolvimento e Design Regenerativo (DDR), concebido pelo Grupo Regenesis, é uma metodologia de gestão de projetos orientada pela visão sistêmica da vida.

Sendo um método, é um conjunto de conceitos, frameworks e práticas agrupados de forma coerente formando um arcabouço teórico robusto com a finalidade de conduzir a concepção e a execução de projetos.

Sendo uma metodologia orientada pela visão sistêmica da vida, o DDR possui uma forma particular de enxergar o mundo, os seres humanos e o papel destes na teia da vida. Essa visão de mundo particular implica a superação de um modelo mental antigo, que pode ser chamado de paradigma mecanicista, e convida uma nova perspectiva, o paradigma ecológico ou a visão sistêmica da vida. Essa mudança de paradigma é acompanhada de uma mudança de práticas.

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Os mais populares do ano

Os mais populares do ano

Nós temos muito o que agradecer. Este foi um ano de muitos encontros e conexão. Temos a sensação de ter construído uma base sólida na qual podemos nos apoiar com firmeza no ano que chega. E isso só foi possível com o envolvimento de muitas pessoas.

Estamos felizes com o crescimento do movimento regenerativo e, definitivamente, você faz parte disso.

Muito obrigado a você que se conectou, que se inspirou com um texto, que compartilhou uma ideia ou que fez um comentário apropriado. Muito obrigado a você que recebeu o nosso trabalho de coração aberto, que nos apoiou e nos incentivou a caminharmos com mais firmeza.

Entrando no clima de retrospectiva, deixamos uma lista com os nossos conteúdos mais populares.

Artigos mais populares de 2019

  1. As principais características do pensamento sistêmico
  2. Como vemos o mundo?
  3. Separação entre natureza e cultura — a base do pensamento moderno
  4. O papel da visão de mundo na construção de uma sociedade viável
  5. As três dimensões da Grande Virada
  6. Uma nova visão histórica da Terra e da humanidade
  7. Descolonizar é preciso
  8. As três linhas de trabalho do desenvolvimento regenerativo
  9. O caminho das organizações regenerativas
  10. Desenvolvimento regenerativo, uma evolução na discussão em sustentabilidade

Podcasts mais populares de 2019

  1. Pensamento Holonômico | com Maria Moraes
  2. Liderança, risco e ciências holísticas | com Juliana Schneider
  3. Crise e regeneração | com Eduard Muller
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Por que não mudamos?

Por que não mudamos?

“A psicologia do indivíduo corresponde à psicologia das nações. As nações fazem exatamente o que cada um faz individualmente; e do modo como o indivíduo age a nação também agirá. Somente com a transformação da atitude do indivíduo é que começará a transformar-se a psicologia da nação. Até hoje os grandes problemas da humanidade nunca foram resolvidos por decretos coletivos, mas somente pela renovação da atitude do indivíduo.” —  Carl Gustav Jung

Nós temos uma pequena janela de tempo para fazer mudanças significativas antes de entrarmos em um curso irreversível de mudança climática que abalará o planeta e a humanidade de maneiras imprevisíveis. O relatório de 2018 do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas alertou que tínhamos cerca de 12 anos para fazermos mudanças massivas que poderiam impedir os impactos altamente destrutivos e irreversíveis da mudança climática. 

E por que ainda não as temos feito? Há uma razão pela qual tem sido muito difícil encontrar soluções para os desafios globais e estarmos vivendo tamanhos retrocessos em relação à questão ecológica, econômica, social e política. A dificuldade que temos em superar os desafios que se apresentam se deve à resistência que temos em enfrentar as causas mais profundas que se escondem atrás de tamanha ignorância e destrutividade. A situação global é uma projeção da devastação de nossas paisagens internas espelhando o que devemos urgentemente olhar dentro de nós.

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#7 Equilíbrio, resiliência e coevolução

Ouça no seu app favorito.

O entendimento sobre o conceito de sustentabilidade está em evolução. Do equilíbrio estático para a coevolução dinâmica há muitas rupturas e evolução do pensamento. Neste episódio eu faço a leitura do artigo “Mudanças no entendimento sobre a sustentabilidade — equilíbrio, resiliência e coevolução”. Com isso poderemos ter uma clareza maior sobre os diferentes entendimentos da sustentabilidade e das bases teóricas para a abordagem regenerativa do desenvolvimento.

Para acessar a página do curso de introdução ao desenvolvimento regenerativo clique aqui.

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Participação

Participação

A participação não é uma escolha.

Estamos fadados à participar da dança da vida, essa grande teia de relacionamentos interdependentes.

Podemos, porém, escolher como participar.

Isso significa que tudo o que fazemos ou deixamos de fazer importa. Significa que as nossas escolhas importam.

Mas para que haja a possibilidade da escolha é necessário o exercício do discernimento.

Um antigo ditado ensina que “se a única ferramenta que você tem é um martelo, tudo começa a se parecer com um prego”.

Se os únicos modelos mentais que você possui são aqueles que nos colocaram em risco existencial, as suas soluções vão provavelmente agravar o problema.

Precisamos nos alfabetizar na ciência da evolução dos sistemas vivos.

Podemos escolher participar como sendo um sistema vivo em coevolução mutualística com todos os outros seres.

O desenvolvimento e design regenerativo é um método alinhado com a inteligência da vida que nos ajuda a participar de forma apropriada.

Felizmente, no começo de 2020, poderemos estar juntos presencialmente para trabalharmos a nossa participação e a participação dos nossos projetos.

O curso de introdução ao desenvolvimento regenerativo será oferecido em Uberlândia, Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Brasília.

Se este for um bom momento, será uma honra e um prazer estarmos juntos.

Foto: William Recino

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Qual o propósito da humanidade?

Qual o propósito da humanidade?

“A razão da vida é fazer mais vida. A razão da vida é trazer mais vida para tudo o que é para tornar o universo cada vez mais vivo. A vida está se desdobrando cada vez mais. E o ponto — e este é apenas um modo de ver as coisas — é fazer parte do crescente florescimento da vida.” — Charles Eisenstein

Dominar a matéria e rebaixar a natureza?

“O mundo não é um problema a ser resolvido; é um ser vivo ao qual pertencemos. O mundo é parte de nós mesmos e nós somos parte de sua totalidade de sofrimento. Até chegarmos à raiz de nossa imagem de separação, não pode haver cura. E a parte mais profunda de nossa separação da criação está em nosso esquecimento de sua natureza sagrada que também é nossa própria natureza sagrada. — Llewellyn Vaughan-Lee

Fomos acostumados a acreditar que o papel da humanidade sobre a Terra era explorar essa fonte supostamente infindável de recursos. Acreditamos que deveríamos nos distanciar da natureza para nos aproximarmos da cultura cuja expressão maior seria o desenvolvimento industrial e tecnológico. Ao explorar e dominar a natureza ficaríamos imunes aos seus riscos e desfrutaríamos de segurança e conforto.

Isso foi cientificamente justificado pelo paradigma materialista que entendeu o big bang como acidente e a existência humana como acaso legitimando a crença de que, por sorte da evolução, somos um corpo físico com capacidades cognitivas sofisticadas e, por isso, superiores a tudo.

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Investimento regenerativo

Investimento regenerativo

Todo trabalho que realizamos mobiliza um esforço. Este esforço é um investimento, é um aporte de energia em algo do qual esperamos obter um retorno futuro. Este “algo” que criamos com um investimento, envolvendo dinheiro ou não, pode ser chamado de ativo.

A permacultura nos ajuda a entender estes investimentos a partir de três categorias. A primeira é o investimento degenerativo. Assim que o investimento foi feito o ativo criado começa a se deteriorar. Para que este se mantenha funcional é necessário um aporte contínuo de novos investimentos. Além disso, esses ativos comprometem a saúde local ao criar benefícios de curto prazo através da extração e esgotamento dos recursos do sistema. Em outras palavras: o sistema como um todo é empobrecido e o valor gerado pelo ativo sempre está em decadência. Exemplos disso são carros, estradas e prédios. Apesar de necessários, se tivermos um excesso desses “ativos” em um projeto ou região estes irão empobrecê-lo a longo prazo. Ao final o recurso investido é degenerado, ou seja, não retorna.

A próxima é o investimento generativo. Neste tipo de investimento você coloca o recurso em uma atividade e obtém um retorno proporcional ao investimento feito. A agricultura anual se comporta desta maneira. Após todo o investimento inicial você recebe o benefício da colheita mas retorna ao ponto de partida. Para que esta atividade gere mais recursos ou benefícios é necessário um novo investimento semelhante ao anterior. Isto é um investimento generativo: você coloca recurso, você retira, e então está no mesmo lugar de onde partiu.

Outra forma de entender os investimentos generativos é que estes nos permitem economizar recursos e necessitam de pouca manutenção ao longo do tempo. Estes ativos necessitam de um investimento inicial, não nos oferecem um lucro direto mas economizam mais energia em seu ciclo de vida do que foi necessário para criá-lo. As ferramentas são bons exemplos: elas facilitam e otimizam as nossas atividades e podem ser utilizadas para criar coisas úteis e até mesmo consertar outras ferramentas. Placas solares e biodigestores também são exemplos de investimento generativo pois economizam ou geram mais energia do que foi necessário investir para obtê-la.

O terceiro tipo é o investimento regenerativo. A sua principal característica é que ele melhora e aumenta o seu valor ao longo do tempo. Um bom exemplo é uma árvore ou uma agrofloresta. Com o passar do tempo a manutenção diminui enquanto a colheita aumenta. Em um dado momento o retorno é muito maior do que o investimento inicial. Este é o tipo de investimento que queremos maximizar em nossos projetos. São investimentos que geram benefícios crescentes a longo prazo.

Em projetos de base territorial ou em organizações o Desenvolvimento e Design Regenerativo (DDR) gera valor ao criar uma rede de cooperação em que cada membro pode desempenhar o seu maior potencial a partir de uma direção regenerativa comum. Com o passar do tempo o entendimento da dinâmica socioecológica aumenta, os laços são fortalecidos, a motivação e espírito local é elevada e o retorno social, econômico e ecológico supera em muito o investimento inicial.

Investimentos degenerativos são necessários em muitas ocasiões. Porém, ao colocá-los a serviço de uma atividade fundamentada em um investimento regenerativo conseguimos fazer com que o ativo que se deteriora ajude a gerar valor crescente a longo prazo. Ao equilibrar estes tipos de investimento conseguimos gerar riqueza e saúde social e ecológica.

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Da história da separação à história do interser

Da história da separação à história do interser

[Este texto é parte do material de apoio da jornada Em busca da Visão – propósito pessoal a serviço de Gaia cuja versão online será lançada no começo de 2020]

“O mundo hoje, globalizado, tecnocrático, pragmático e vertiginoso, sofre de uma sequência acumulada de crises cada vez mais agudas que, no fundo, são a expressão de uma crise geral ou estrutural, uma crise de civilização.” — Victor Toledo e Narciso Barrera-Bassols

Da sociedade de crescimento industrial à sociedade que sustenta a vida, do Antropoceno ao Ecozóico, da consciência ego-sistêmica à consciência eco-sistêmica… Através de todas essas formas de contar a história da transição que vivemos hoje vemos a necessidade de superação da história da separação pela história do interser.

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O que é a vida? — Uma comunidade regenerativa

O que é a vida? — Uma comunidade regenerativa

Escrito por Daniel Christian Wahl e traduzido por Felipe Tavares.

A vida — como um processo planetário — é uma comunidade regenerativa! Nas palavras de Janine Benyus: “A vida cria condições propícias ​​à vida”.

Para mim, a palavra “regenerativo” refere-se à capacidade inerente da vida de expressar a essência única de cada lugar através de diversidade elegantemente adaptada. Essa diversidade não apenas muda constantemente e evolui para níveis mais altos de complexidade e colaboração, como também contribui para tornar o local mais abundante, vibrante e favorável a mais vida ao longo do tempo.

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