A essência não está dada

Coevolução newsletter #13

Essência é um conceito antigo usado para alegar que cada ser tem qualidades que o fazem único, singular, específico. Ben Haggard (2017) diz que a qualidade que faz algo distintivo é exatamente o que deve ser entendido como essência. Carol Sanford (2020) define essência como o cerne irredutível de algo, o que o torna singularmente ele mesmo. Pamela Mang e Ben Haggard (2016, p. 48) trazem que a essência é “a verdadeira natureza ou caráter distintivo que torna algo o que é; o elemento permanente versus o acidental do ser”.

Eles também dizem que a distintividade é uma característica dos sistemas vivos, ou seja, cada sistema vivo é distinto um do outro e expressa uma essência que é a fonte de sua singularidade. Assumir a essência como um princípio fundamental de sistemas vivos é imprescindível porque o potencial regenerativo de sistemas vivos surge desse aspecto central distinto não importando se é uma árvore ou uma floresta, uma pessoa ou uma cidade (Mang e Haggard, 2016). Continue reading →

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Compreensão de padrões, compreensão da vida

Coevolução newsletter #12

O poder do entendimento dos sistemas vivos está em nos ensinar a ver padrões que se repetem e, desse modo, conseguir trabalhar efetivamente em meios e escalas muito diferentes.

É isso que Joel Glanzberg, do grupo Regenesis, demonstra quando diz que os padrões de troca que acontecem em nossos corpos são semelhantes aos de uma árvore, bacia hidrográfica, ecossistema ou economia. Assim, ao compreender os padrões de funcionamento de um desses sistemas, começamos a entender como todos eles funcionam. Continue reading →

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As principais capacidades sistêmicas

Coevolução newsletter #11

Uma das premissas do trabalho sistêmico e regenerativo é que pequenas intervenções conscientes no local correto podem criar efeitos sistêmicos benéficos.

Isso só é possível quando somos capazes de ter um olhar sistêmico e integral para um determinado contexto.

Existem habilidades que precisam ser desenvolvidas se quisermos ter esta visão ampliada e relacional. Abaixo segue as principais capacidades sistêmicas necessárias para o trabalho de transformação.

Reconhecer as interconexões

Este é o nível básico do pensamento sistêmico. Essa habilidade envolve a capacidade de identificar as principais conexões entre as partes de um sistema. Mesmo adultos com alto nível de escolarização, sem treinamento em pensamento sistêmico, tendem a não ter essa capacidade.

As conexões fazem com que o comportamento de uma parte afete a outra. Todas as partes estão conectadas, uma mudança em qualquer parte ou conexão afeta todo o sistema.

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Sobre nuvens e relogios

Coevolução newsletter #10

Este ano estamos dedicados a construir um currículo de base para apoiar a prática regenerativa.

Sendo uma prática para a transformação de sistemas vivos, a regeneração se apoia amplamente no pensamento sistêmico. Nos próximos meses é por aí que vai caminhar a nossa atenção.

Por exemplo, você sabe o que é um problema do tipo relógio e um problema do tipo nuvem? Essa é talvez a primeira distinção que precisamos fazer ao entrar neste universo de sistemas.

Alguns tipos de problemas se assemelham a um relógio. Possuem fronteiras bem definidas, relações de causa e efeito conhecidas e as partes podem ser identificadas e reparadas. Os problemas de engenharia, a partir de um olhar pontual, são problemas do tipo relógio. Eles são problemas estáveis em que há um entendimento comum sobre qual é o problema e qual solução o resolverá.

 

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Ativação da vontade

Coevolução newsletter #9

Ontem no workshop Atributos do praticante regenerativo mergulhamos na ideia de que a regeneração é uma prática de ativação da vontade. A vontade enquanto um aspecto da natureza humana é a força que governa e determina o nosso fazer e o nosso ser.

Mas como sustentar a energia da vontade? O trabalho regenerativo parte do entendimento de que a motivação pessoal ganha um terreno fértil quando somos capazes de desempenhar um papel único que contribui para a saúde e evolução dos lugares que são importantes para nós.

Nesta ideia estão contidas duas fontes de motivação que devem ser conciliadas. A primeira fonte é interna e corresponde aos nossos interesses genuínos e qualidades particulares. Podemos chamá-la de força de ativação pois ela gera o impulso para criar algo. Continue reading →

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Auto-observação e auto-lembrança

Coevolução newsletter #8

Em uma de suas aulas sobre design informado por sistemas integrais e sistemas vivos, Bill Reed disse que a nossa existência se dá de três maneiras: automática, reativa ou intencional. Para a triste surpresa dos ouvintes, ele disse que “mesmo os grandes místicos foram intencionais e propositivos apenas 20% de suas vidas”.

O porquê dele falar sobre isso em uma aula sobre regeneração se deve ao fato de que sem intencionalidade e revisão de propósito não é possível construir uma mente que percebe como os padrões de vida se expressam nos encontros, projetos e paisagens e, assim, tampouco é possível regenerar a vida e os significados destes contextos.

Para uma aproximação da prática regenerativa, junto à alfabetização em como totalidades e sistemas vivos funcionam, é preciso estar em dia com a prática de perceber como se percebe, suspender padrões automáticos de pensamento e remodelar o próprio estado de ser. O Regenesis chamou essa prática de auto-observação e auto-lembrança. Continue reading →

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#22 Enfrentando os vícios da modernidade em direção a futuros decoloniais I com Camilla e Dino

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Neste episódio conversamos com a Camilla Cardoso e o Dino Siwek do projeto Terra Adentro e do coletivo Gestos Rumo a Futuros Decolonias. Nós convidamos para a conversa o grupo de estudo que eles estão conduzindo enquanto formação na pegagogia do GRFD e a comunidade de aprendizagem do IDR.

Terra Adentro é um projeto de investigação sobre as motivações e efeitos das crises sistêmicas que vivemos, buscando apontar para outras possibilidades de se viver e interagir no mundo.

A abordagem que informa o trabalho do coletivo GRFD envolve práticas pedagógicas e experimentos artísticos que visam estimular formas de viver capazes de nos engajar, ao invés de negar, com violências sistêmicas, com nossos entrelaçamentos e cumplicidade em danos e com os limites do planeta.

Nós conversamos sobre as origens e efeitos da modernidade-colonialidade, sobre vícios coloniais conscientes e inconscientes, sobre os radares que podemos utilizar para perceber a atuação desses vícios enquanto agimos, sobre a potência de abordagens e teorias de mudança não-prescritivas que incorporam capacidades exiladas pelo modo de ser moderno. E muito mais.

Eles trouxeram imagens, reflexões e convites presentes em muitas das cartografias elaboradas pelo GRFD e ressaltaram a importância de oferecer cuidados paliativos para um mundo em desmoronamento desinvestindo nas promessas da modernidade e investindo no reconhecimento visceralmente responsável das nossas cumplicidades em relação às violências sistêmicas.

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As cinco dimensões da prática regenerativa

Coevolução newsletter #7

O que faz com que um projeto, empresa ou o comportamento de uma liderança seja melhor qualificado como regenerativo do que como sustentável, ecológico ou humano?

Esta não é uma pergunta simples, mas podemos dizer que a prática regenerativa está orientada para a transformação sistêmica. Essa direção faz com que o praticante precise ampliar o seu escopo de atuação para incluir aspectos que comumente não são considerados.

O Clear (Center for Living Environments and Regeneration), informado pelo trabalho do Regenesis e da Carol Sanford, sistematizou cinco dimensões de prática com as quais precisamos estar envolvidos para tornar e manter regenerativo o nosso trabalho. São elas: Continue reading →

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Olhar dentro

Coevolução newsletter #6

A atenção ao lugar interno a partir do qual operamos é essencial para o desenvolvimento humano e é um pilar para o trabalho de design regenerativo. 

O desenho e a condução de projetos, processos e comunidades são influenciados diretamente pela qualidade da presença do facilitador. 

Quando o lugar de poder é externo, a realização ou a insatisfação pessoal ou o sucesso de um projeto estão condicionados às circunstâncias além do nosso controle e poder. Nesse sentido, o acaso, as estruturas sistêmicas e os comportamentos alheios costumam ser justificativas que damos para quando as coisas caminham na direção contrária daquela que gostaríamos. Continue reading →

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#21 Evolução, pensamento sistêmico e desenvolvimento regenerativo

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Esse episódio é uma edição da conversa que eu fiz com a Comunidade de Aprendizagem do Trabalho Que Reconecta anfitriada pelas queridas Polliana Zocche e Lia Beltrão.

No momento em que elas me convidaram, a comunidade estava trabalhando a fase ver com novos da espiral do Trabalho Que Reconecta. Ver com novos olhos sucede as fases de acordar a gratidão e honrar a dor, e depois dela é o momento de seguir adiante. Joanna Macy destaca o papel do pensamento sistêmico em ampliar nossas perspectivas sobre o que acontece ao nosso mundo e como responder apropriadamente a isso.

A fim de trazer uma nova visão, ou levar novos olhos ao mundo, eu apresentei o processo evolucionário cósmico como uma história com força mítica o suficiente para confrontar a narrativa de um paraíso científico-tecnológico-industrial que se pretende capaz de superar os aspectos complexo, ambíguo e impermanente da vida.

Evolução, emergência, sinergia foram alguns dos tópicos da primeira parte da conversa. Na segunda parte eu trouxe reflexões sobre como nós, através de nossos projetos, podemos facilitar a emergência de propriedades sistêmicas geradoras de saúde e resiliência nos lugares onde estamos.

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