descolonização

Sobre a busca de visão

Sobre a busca de visão

Uma reverência ao tradicional Vision Quest, uma súplica à cerimonialização da vida 

Desde sempre o ser humano busca a solidão em paisagens naturais para compreender a si mesmo, encontrar força para atravessar desafios e caminhar com integridade pela vida. Mas, embora retirar-se na natureza em busca de visão seja uma prática tão antiga quanto a própria humanidade, o tradicional Vision Quest faz parte de contextos culturais singulares.

Vision Quest é uma expressão cunhada no século XIX por antropólogos para descrever jornadas espirituais de tradições étnicas cujos territórios foram colonialmente incorporados na atual América do Norte e, especificamente, nos Estados Unidos e Canadá. As Nações Indígenas Siksika, Cree, Anishinaabe e Inuit são algumas daquelas que, mesmo sendo violentamente desencorajadas ou impedidas por políticas nacionais, persistem realizando o Vision Quest e outras cerimônias enraizadas na etnicidade. 

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Descolonizar a comunicação

Descolonizar a comunicação

E se em vez de usar “mas”, “na verdade”, “efetivamente” e outras expressões que reivindicam para si a legitimidade, a gente usar “e”, “além disso”, “também” e outras expressões que, em vez de criar oposição, somam perspectivas?

O uso das expressões “de fato” e “realmente” quando afirmamos algo e do “não é bem assim” ou “na realidade” quando estamos nos contrapondo nascem da premissa de que só um pode estar correto e, portanto, só um tem o acesso à verdade e a legitimidade na exposição de seus argumentos.

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Acordar a gratidão

Acordar a gratidão

“Nós temos que ter coragem de ser radicalmente vivos. E não negociar sobrevivência.”  — Ailton Krenak

Qual o lugar da apreciação, da gratidão e da celebração nas nossas vidas? Existir neste contexto planetário e tempo histórico é um motivo suficiente pelo qual sermos gratos?

A palavra “gratidão” se tornou recorrente nas nossas interações. Às vezes ela até pode soar piegas, um vício verbal new age esvaziado de significado.

Com a Ecologia Profunda e o trabalho da Joanna Macy, essa palavra ganhou um sentido diferente e muito potente pra mim.

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A separação social

A separação social

Por todo o mundo as pessoas concordam que a civilização moderna está falida e que enfrentamos enormes desafios que nos exigem uma profunda mudança pessoal e social. Provavelmente não concordamos em relação às soluções, mas concordamos sobre os problemas. Podemos resumir os problemas do mundo em três cenários: a separação ecológica, a separação social e a separação espiritual ou psicológica¹.

A separação social

A separação social é bem conhecida por todos nós. Invariavelmente nos deparamos com as suas consequências em nosso cotidiano. Ela diz respeito aos níveis crescentes de desigualdade, injustiça e tensões sociais.

Enquanto 1,5 é o número que define a separação ecológica porque representa a pegada ecológica da humanidade no planeta, 8 é um dos números que define a separação social. Hoje, 8 bilionários possuem tanta riqueza quanto as 3,6 bilhões de pessoas que compõem a metade mais pobre do planeta. Também é verdade que a riqueza acumulada pelo 1% mais abastado da população mundial equivale à riqueza dos 99% restantes. Estes números são parte de um relatório da Oxfam — ONG britânica anti-pobreza — baseado em dados da revista de negócios Forbes e no relatório do banco Credit Suisse sobre distribuição da riqueza global. 

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Descolonizar é preciso

Descolonizar é preciso

Ainda que os regimes coloniais institucionalizados tenham acabado, a herança colonial permeia a estrutura social e a mentalidade das pessoas. A colonialidade é a face oculta da modernidade que persiste nos dias atuais. Descolonizar segue sendo preciso e urgente.

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Terra, mosaico de biorregiões

Terra, mosaico de biorregiões

Ao longo da vida construímos a imagem da Terra como um bloco monolítico de superfície plana. Dificilmente conseguimos ter viva a imagem de estarmos gravitacionalmente conectados à superfície de um organismo superdiverso que dança no vazio cósmico.

A Terra não é um bloco. É um conjunto de regiões altamente diferenciadas e articuladas entre si. E cada um de nós fazemos parte de alguma de suas paisagens. Inevitavelmente, o lugar onde estamos é parte do que somos. Reciprocamente, alguma biorregião depende da nossa participação apropriada na sua ecologia.

Nesse sentido, o senso de não-pertencimento que alguns de nós carregamos está relacionado diretamente com a nossa falta de identificação com um lugar, uma paisagem, uma biorregião da qual somos parte. A qual biorregião você pertence?

O que são biorregiões?

A formação geológica, as condições climáticas e as formas de vida particulares que se expressam em um determinado lugar compõe o que chamamos de biorregiões. A Terra é um mosaico de biorregiões.

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Como ter conversas difíceis sem desumanizar o outro?

Como ter conversas difíceis sem desumanizar o outro?

O atual cenário sociopolítico nos apresenta enormes desafios. Três deles me parecem ser centrais:

  • Sermos capazes de reconhecer nossa humanidade comum apesar das divergências;
  • Relembrar do potencial humano para mudanças disruptivas não-violentas apesar do expurgo coletivo de intolerância;
  • Expressarmo-nos e posicionarmo-nos politicamente sem que reproduzamos padrões de fala e comportamento que combinam mais com a postura da qual divergimos do que com a causa a que queremos servir.

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Uma nova visão histórica da Terra e da humanidade

Uma nova visão histórica da Terra e da humanidade

O ritmo de vida instantâneo e egocentrado dos centros urbanos desconectou-nos de nossa história evolucionária enquanto espécie humana na Terra. Pouco sabemos sobre como chegamos a habitá-la e de sua história antes de nossa presença. Uma nova visão histórica que nos informe sobre o processo evolucionário da Terra e da consciência humana é fundamental para que possamos ter uma participação no mundo coerente com o nosso potencial humano e com a evolução de Gaia. Continue reading →

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Separação entre natureza e cultura — a base do pensamento moderno

Separação entre natureza e cultura — a base do pensamento moderno

Reconectar natureza e cultura/sociedade é um passo fundamental para criarmos culturas regenerativas

A separação entre natureza e cultura a partir do entendimento que a natureza deve ser dominada pela cultura é responsável pelo atual desequilíbrio da ecologia planetária promovido pelos seres humanos.

É comum usarmos os conceitos de natureza e cultura como distintos e até opostos. No entanto, muitos dos costumes que nos são comuns foram construídos historicamente a partir de interesses específicos. A separação entre natureza e cultura foi uma construção historicamente conduzida pelas sociedades modernas e é responsável pelas crises convergentes que vivemos hoje. Os povos indígenas nem mesmo têm palavras para descrever algo como natureza e cultura porque as entendem como mutuamente dependentes. E nós, porque as separamos? E quais as consequência disso?

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A memória biocultural da espécie humana

A memória biocultural da espécie humana

Recuperar e promover a memória biocultural da humanidade bem como acordar a nossa capacidade de adaptação resiliente e aprendizado contínuo são tarefas urgentes do nosso tempo.

Hoje experimentamos uma noção do tempo extremamente reduzida limitando-se apenas a nossa própria geração. A consequência direta disso é o nosso esquecimento daqueles saberes e sabedorias cultivados pelos nossos ancestrais através dos quais se tornou possível a nossa sobrevivência na Terra. Nesse artigo abordo como as crises convergentes que vivenciamos são sintomas da nossa amnésia biocultural e de um paradigma sociocêntrico e etnocêntrico.

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