visão de mundo

Terra, mosaico de biorregiões

Terra, mosaico de biorregiões

Ao longo da vida construímos a imagem da Terra como um bloco monolítico de superfície plana. Dificilmente conseguimos ter viva a imagem de estarmos gravitacionalmente conectados à superfície de um organismo superdiverso que dança no vazio cósmico.

A Terra não é um bloco. É um conjunto de regiões altamente diferenciadas e articuladas entre si. E cada um de nós fazemos parte de alguma de suas paisagens. Inevitavelmente, o lugar onde estamos é parte do que somos. Reciprocamente, alguma biorregião depende da nossa participação apropriada na sua ecologia.

Nesse sentido, o senso de não-pertencimento que alguns de nós carregamos está relacionado diretamente com a nossa falta de identificação com um lugar, uma paisagem, uma biorregião da qual somos parte. A qual biorregião você pertence?

O que são biorregiões?

A formação geológica, as condições climáticas e as formas de vida particulares que se expressam em um determinado lugar compõe o que chamamos de biorregiões. A Terra é um mosaico de biorregiões.

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A era ecológica (parte 3)

A era ecológica (parte 3)

Precisamos confrontar a força mítica da ilusão do paraíso industrial, superar o enfeitiçamento pelas cidades e indústrias e parar de terceirizar para a tecnologia as soluções que nos exigem autorresponsabilidade e mudança de paradigma

Essa sequência de três textos intitulados “A era ecológica” é inspirada pelas reflexões de Thomas Berry no livro “O sonho da Terra”. Ele é considerado um dos grandes nomes do pensamento ecológico. Exerceu os ofícios de sacerdote católico, historiador cultural, eco-teólogo e gostava de ser referido como cosmólogo e acadêmico da Terra.

Nos dois textos anteriores vimos que a era ecológica é uma passagem necessária da humanidade na Terra. A humanidade vive hoje a iniciação à sua fase adulta. Tornaremo-nos minimamente maduros em relação ao destino da Terra e à nossa participação nele na medida em que reconhecermos os princípios orientadores do cosmos e incorporamos a agenda de princípios para a era ecológica.

Mas, para que isso seja possível é fundamental superar o mito do paraíso industrial que nos faz pensar e agir como pensamos e agimos hoje. Esse mito nos faz crer que o desenvolvimento da humanidade deve acontecer mediante a intensificação modernizadora com avanço tecnológico e crescimento econômico infinito que vem com o saldo inevitável da devastação dos sistemas vivos.

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A regeneração é um paradigma — o que isso quer dizer?

A regeneração é um paradigma — o que isso quer dizer?

A regeneração é um paradigma fruto de uma visão de mundo particular, a visão de mundo dos sistemas vivos.

Como visão de mundo entenda uma forma particular de enxergar, entender e se relacionar com o contexto em que estamos inseridos. Para tanto, é necessário um conjunto específico de ferramentas capazes de materializar esta visão particular. Este conjunto de ferramentas é o paradigma associado.

Sendo um paradigma, a regeneração é fundamentada em conceitos e crenças particulares sobre como o mundo funciona.

Entre eles está a percepção de que todos os seres vivos são únicos e se organizam de forma aninhada com outros sistemas vivos maiores.

E também o pressuposto de que todo organismo vivo possui, a partir de suas características únicas, um potencial inerente capaz de beneficiar o sistema maior a que pertence.

Desta forma, temos que a regeneração só acontece a partir de uma relação de reciprocidade onde uma entidade viva realiza um papel capaz de gerar saúde e vitalidade para o sistema em que está inserida e que, por sua vez, é beneficiada por este sistema maior.

Assim, o paradigma regenerativo não é uma forma prescrita de se fazer as coisas. É um processo que requer educação e desenvolvimento onde aprendemos a ver o mundo com novos olhos.

O desenvolvimento regenerativo nos serve, então, oferecendo quadros conceituais que orientam nossos pensamentos de forma a alinhar as atividades humanas com a inteligência dos sistemas vivos.

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Uma nova visão histórica da Terra e da humanidade

Uma nova visão histórica da Terra e da humanidade

O ritmo de vida instantâneo e egocentrado dos centros urbanos desconectou-nos de nossa história evolucionária enquanto espécie humana na Terra. Pouco sabemos sobre como chegamos a habitá-la e de sua história antes de nossa presença. Uma nova visão histórica que nos informe sobre o processo evolucionário da Terra e da consciência humana é fundamental para que possamos ter uma participação no mundo coerente com o nosso potencial humano e com a evolução de Gaia. Continue reading →

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Duas visões de mundo, dois paradigmas de sustentabilidade

Duas visões de mundo, dois paradigmas de sustentabilidade

A sustentabilidade tecnológica e a sustentabilidade ecológica são frutos de duas visões de mundo distintas: a mecanicista e a ecológica.

Há uma mudança de mentalidade em curso, que parte de uma visão de mundo mecanicista e chega a uma visão de mundo ecológica (CAPRA e LUISI, 2014). Esta mudança é, essencialmente, uma mudança de metáforas: de uma que vê o mundo como uma máquina para uma que o entende como uma rede.

Capra e Luisi (2014) descrevem esta mudança como uma tensão básica entre as partes e o todo. A ênfase nas partes tem sido chamada de mecanicista, reducionista ou atomista; a ênfase no todo de holística ou ecológica. Na ciência do século XX, a perspectiva holística tornou-se conhecida como “sistêmica”, e a forma de pensar que esta implica de “pensamento sistêmico”.

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Separação entre natureza e cultura — a base do pensamento moderno

Separação entre natureza e cultura — a base do pensamento moderno

Reconectar natureza e cultura/sociedade é um passo fundamental para criarmos culturas regenerativas

A separação entre natureza e cultura a partir do entendimento que a natureza deve ser dominada pela cultura é responsável pelo atual desequilíbrio da ecologia planetária promovido pelos seres humanos.

É comum usarmos os conceitos de natureza e cultura como distintos e até opostos. No entanto, muitos dos costumes que nos são comuns foram construídos historicamente a partir de interesses específicos. A separação entre natureza e cultura foi uma construção historicamente conduzida pelas sociedades modernas e é responsável pelas crises convergentes que vivemos hoje. Os povos indígenas nem mesmo têm palavras para descrever algo como natureza e cultura porque as entendem como mutuamente dependentes. E nós, porque as separamos? E quais as consequência disso?

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A insustentabilidade da civilização moderna — um convite ao diálogo com outras visões de mundo

A insustentabilidade da civilização moderna — um convite ao diálogo com outras visões de mundo

A descolonização do pensamento é o primeiro passo para a superação das crises que a civilização moderna enfrenta

É consenso entre cientistas e lideranças indígenas que os tempos modernos estão em crise. E que essa crise global, para onde convergem a crise climática, as crises políticas, econômicas etc., é consequência de como a civilização moderna ocidental têm escolhido habitar e explorar a Terra. Como podemos reverter essa crise? Nesse artigo, abordo a importância de irmos além de nós mesmos, engajados em nossa descolonização, para aprendermos com outros povos e saberes como podemos, juntos, recriar um mundo mais bonito do que o que temos sustentado até agora.

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De qual educação estamos falando?

De qual educação estamos falando?

Um diálogo sobre educação transformativa

Há um coro de pensadores reforçando a ideia de que os maiores problemas que enfrentamos possuem origem no pensamento da civilização moderna. É consenso também a importância da educação para a evolução da civilização humana. Porém, de qual educação estamos falando? Neste artigo abordo o que é educação transformativa e como os níveis do saber e as ordens de mudança nos ajudam a construir uma educação em profundidade.

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As principais características do pensamento sistêmico

As principais características do pensamento sistêmico

O mundo como uma máquina dá lugar a um mundo como redes ou como sistemas dentro de sistemas vivos.

O pensamento sistêmico é fundamental para entender ambientes complexos e propor soluções aos desafios do nosso tempo. Assim, mudanças no pensamento e na prática são fundamentais e entendê-las é o primeiro passo para a prática sistêmica. Neste artigo abordaremos as principais mudanças necessárias para o pensamento sistêmico. São elas: das partes para o todo, dos objetos para os relacionamentos, da medição para o mapeamento, do conhecimento objetivo para o conhecimento contextual e da estrutura para o processo.

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O papel da visão de mundo na construção de uma sociedade viável

O papel da visão de mundo na construção de uma sociedade viável

O termo visão de mundo pode ser entendido como a lente que utilizamos para enxergar, interpretar e nos relacionar com o mundo. É um sistema de crenças inter-relacionadas que age como um filtro através do qual o fenômeno é percebido e compreendido. Pessoas diferentes — com culturas, histórias e meios de convívio distintos — interpretarão um mesmo acontecimento de forma particular. Um aspecto crucial deste entendimento é que o filtro da visão de mundo opera majoritariamente de forma invisível aos indivíduos e organizações cujo pensamento e comportamento influencia. Não só, a visão de mundo define o que pode e o que não pode ser conhecido ou feito, quais objetivos devemos buscar e quais caminhos é possível trilhar. De forma geral, a visão de mundo é construída através das histórias que nos contam e que contamos sobre o mundo, a sociedade e nós mesmos.

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