visão de mundo

Emergência e uma nova história do universo e da civilização

Emergência e uma nova história do universo e da civilização

Este texto é a transcrição de uma palestra inspiradora do filósofo e empreendedor Daniel Schmachtenberger, co-fundador da Neurohacker Collective.

Nesta fala Daniel explora como o fenômeno da emergência, a partir de uma interseção de diferentes ciências, pode informar uma nova história para o universo e para a humanidade. Ao entender os seres humanos como parte de um processo evolucionário dotados de consciência auto-reflexiva, podemos nos colocar como agentes conscientes da evolução e definir intenções para a humanidade que seja ao mesmo tempo harmoniosa para toda a comunidade de vida de um planeta profundamente interconectado. Esta narrativa, muito bem tecida e fundamentada, constrói as bases para o que podemos chamar de Culturas Regenerativas.

Assista ao vídeo original e veja a transcrição em inglês feita pelo site Inside Out. 


O que eu quero falar hoje é o que é a emergência como um fenômeno, como uma propriedade que é realmente essencial para entender a natureza do universo em que vivemos — essencial para entender o que significa ser humano e essencial para entender a base do significado da ética e do existencialismo — e também o que isso indica para o futuro da civilização abordando algumas coisas que são preocupantes e excitantes ao mesmo tempo. Você pode considerar essa conversa como uma espécie de ode extemporânea e divagante ao fenômeno da emergência em si — um tipo de conversa de amor sobre o quão fantástico é o universo possuir essa propriedade e que nós podemos entendê-la e participar no fenômeno.

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Por que não mudamos?

Por que não mudamos?

“A psicologia do indivíduo corresponde à psicologia das nações. As nações fazem exatamente o que cada um faz individualmente; e do modo como o indivíduo age a nação também agirá. Somente com a transformação da atitude do indivíduo é que começará a transformar-se a psicologia da nação. Até hoje os grandes problemas da humanidade nunca foram resolvidos por decretos coletivos, mas somente pela renovação da atitude do indivíduo.” —  Carl Gustav Jung

Nós temos uma pequena janela de tempo para fazer mudanças significativas antes de entrarmos em um curso irreversível de mudança climática que abalará o planeta e a humanidade de maneiras imprevisíveis. O relatório de 2018 do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas alertou que tínhamos cerca de 12 anos para fazermos mudanças massivas que poderiam impedir os impactos altamente destrutivos e irreversíveis da mudança climática. 

E por que ainda não as temos feito? Há uma razão pela qual tem sido muito difícil encontrar soluções para os desafios globais e estarmos vivendo tamanhos retrocessos em relação à questão ecológica, econômica, social e política. A dificuldade que temos em superar os desafios que se apresentam se deve à resistência que temos em enfrentar as causas mais profundas que se escondem atrás de tamanha ignorância e destrutividade. A situação global é uma projeção da devastação de nossas paisagens internas espelhando o que devemos urgentemente olhar dentro de nós.

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Qual o propósito da humanidade?

Qual o propósito da humanidade?

“A razão da vida é fazer mais vida. A razão da vida é trazer mais vida para tudo o que é para tornar o universo cada vez mais vivo. A vida está se desdobrando cada vez mais. E o ponto — e este é apenas um modo de ver as coisas — é fazer parte do crescente florescimento da vida.” — Charles Eisenstein

Dominar a matéria e rebaixar a natureza?

“O mundo não é um problema a ser resolvido; é um ser vivo ao qual pertencemos. O mundo é parte de nós mesmos e nós somos parte de sua totalidade de sofrimento. Até chegarmos à raiz de nossa imagem de separação, não pode haver cura. E a parte mais profunda de nossa separação da criação está em nosso esquecimento de sua natureza sagrada que também é nossa própria natureza sagrada. — Llewellyn Vaughan-Lee

Fomos acostumados a acreditar que o papel da humanidade sobre a Terra era explorar essa fonte supostamente infindável de recursos. Acreditamos que deveríamos nos distanciar da natureza para nos aproximarmos da cultura cuja expressão maior seria o desenvolvimento industrial e tecnológico. Ao explorar e dominar a natureza ficaríamos imunes aos seus riscos e desfrutaríamos de segurança e conforto.

Isso foi cientificamente justificado pelo paradigma materialista que entendeu o big bang como acidente e a existência humana como acaso legitimando a crença de que, por sorte da evolução, somos um corpo físico com capacidades cognitivas sofisticadas e, por isso, superiores a tudo.

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Da história da separação à história do interser

Da história da separação à história do interser

[Este texto é parte do material de apoio da jornada Em busca da Visão – propósito pessoal a serviço de Gaia cuja versão online será lançada no começo de 2020]

“O mundo hoje, globalizado, tecnocrático, pragmático e vertiginoso, sofre de uma sequência acumulada de crises cada vez mais agudas que, no fundo, são a expressão de uma crise geral ou estrutural, uma crise de civilização.” — Victor Toledo e Narciso Barrera-Bassols

Da sociedade de crescimento industrial à sociedade que sustenta a vida, do Antropoceno ao Ecozóico, da consciência ego-sistêmica à consciência eco-sistêmica… Através de todas essas formas de contar a história da transição que vivemos hoje vemos a necessidade de superação da história da separação pela história do interser.

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Da consciência ego-sistêmica à consciência eco-sistêmica

Da consciência ego-sistêmica à consciência eco-sistêmica

[Este texto é parte do material de apoio da jornada Em busca da Visão – propósito pessoal a serviço de Gaia cuja versão online será lançada no começo de 2020]

“No estado presente das coisas, a sobrevivência da humanidade depende de que as pessoas desenvolvam uma preocupação sincera com toda a humanidade e não apenas com sua própria comunidade ou nação. A realidade da nossa situação nos impele a agir e a pensar com mais clareza. A mentalidade estreita e o pensamento autocentrado podem ter nos servido bem no passado, mas hoje só poderá nos levar ao desastre.” — Joanna Macy

Otto Scharmer, professor titular do Instituto de Tecnologia de Massachusetts e co-fundador do Presencing Institute, também entende que vivemos um processo de transição de histórias e de consciências. Para ele, é fundamental e inevitável a aceleração de mudanças de paradigma e, mais profundamente, a mudança de uma consciência ego-sistêmica para uma consciência eco-sistêmica.

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Do Antropoceno ao Ecozóico

Do Antropoceno ao Ecozóico

[Este texto é parte do material de apoio da jornada Em busca da Visão – propósito pessoal a serviço de Gaia cuja versão online será lançada no começo de 2020]

A grande obra de cada tempo histórico

“Todos nós temos nosso trabalho particular. Temos uma variedade de ocupações. Mas além do trabalho que desempenhamos e da vida que levamos, temos uma Grande Obra na qual todos estamos envolvidos e da qual ninguém está isento: é a obra de deixar uma Era Cenozóica terminal e ingressar na nova Era Ecozóica na história do planeta Terra.” —  Thomas Berry

Para Thomas Berry, acadêmico da Terra como gostava de ser chamado, cada época histórica tem a sua grande obra. A grande obra do Paleolítico foi a expansão humana a partir da África. Este processo esteve associado à criação de linguagem, rituais e estruturas sociais pelas comunidades caçadoras-coletoras. A grande obra do Neolítico foi o estabelecimento de comunidades agrícolas em territórios socioecológicos cujas paisagens foram manejadas através da prática extrativista e agrícola. 

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A Grande Virada

A Grande Virada

“A característica mais marcante deste momento histórico não é que estamos a caminho de destruir nosso mundo — na verdade, estamos neste caminho há algum tempo — mas que estamos começando a despertar de um sono de milênios para um relacionamento totalmente novo com o nosso mundo, com nós mesmos e com os outros.” — Joanna Macy

A sociedade de crescimento industrial

A sociedade de crescimento industrial fez das pessoas engrenagens na roda da produção e do consumo e está devastando os recursos limitados da natureza. Ela nos isolou do mundo natural e nos fez perder a percepção de nossa conexão com todos os seres.

Mais ainda, ela nos fez esquecer que nós somos a própria Terra tomando consciência de si mesma. A visão analítica e mecânica característica dessa sociedade obscureceu a visão holística e orgânica dos fenômenos impedindo-nos de ver a vasta e complexa rede de relações interdependentes de todos com tudo.

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Entre histórias

Entre histórias

[Este texto é parte do material de apoio da jornada Em busca da Visão – propósito pessoal a serviço de Gaia cuja versão online será lançada no começo de 2020]

“É tudo uma questão de histórias. Nós estamos em problemas agora porque não temos uma boa história. Nós estamos entre histórias. A velha história, e a forma como nos encaixamos nela, não é mais efetiva. Mas nós ainda não aprendemos a nova história.” — Thomas Berry

Sabemos que abaixo dos sintomas do mundo — da violência assistida contra a natureza, o outro e nós mesmos — há estruturas de organização, paradigmas de pensamento e estados de consciência particulares. Essa dimensão oculta do iceberg abarca as narrativas e histórias que nos orientam no mundo. Nós as reproduzimos inconscientemente e nos movemos através das crenças, valores e visão de mundo que elas informam e que nos foram introjetados desde que nascemos.

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O mundo como um iceberg

O mundo como um iceberg

[Este texto é parte do material de apoio da jornada Em busca da Visão – propósito pessoal a serviço de Gaia cuja versão online será lançada no começo de 2020]

“A primeira condição para modificar a realidade consiste em conhecê-la.” — Eduardo Galeano

Toda e qualquer mudança começa com a investigação das questões estruturais e dos paradigmas de pensamento mais profundos que nos fazem colocar em cena, repetidamente, os mesmos problemas.

Enquanto humanidade nós temos grandes problemas:

  • Uma pegada ecológica de 1,5 planetas;
  • 3,4 bilhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza;
  • 8 bilionários com a riqueza equivalente de 3,6 bilhões de pessoas;
  • O 1% mais abastado da população mundial equivalente à riqueza dos 99% restantes;
  • 300 milhões de pessoas acometidas por depressão;
  • 883 mil suicídios a cada ano;
  • Mais pessoas se matando do que mortas em assassinatos, guerras e desastres naturais.

Ninguém está acordando de manhã e se preparando para mais um dia de destruição da natureza, de violência contra outras pessoas e querendo aumentar seu próprio nível de infelicidade. Mas é exatamente isso que estamos fazendo.

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A separação social

A separação social

[Este texto é parte do material de apoio da jornada Em busca da Visão – propósito pessoal a serviço de Gaia cuja versão online será lançada no começo de 2020.]

Por todo o mundo as pessoas concordam que a civilização moderna está falida e que enfrentamos enormes desafios que nos exigem uma profunda mudança pessoal e social. Provavelmente não concordamos em relação às soluções, mas concordamos sobre os problemas. Podemos resumir os problemas do mundo em três cenários: a separação ecológica, a separação social e a separação espiritual ou psicológica¹.

A separação social

A separação social é bem conhecida por todos nós. Invariavelmente nos deparamos com as suas consequências em nosso cotidiano. Ela diz respeito aos níveis crescentes de desigualdade, injustiça e tensões sociais.

Enquanto 1,5 é o número que define a separação ecológica porque representa a pegada ecológica da humanidade no planeta, 8 é um dos números que define a separação social. Hoje, 8 bilionários possuem tanta riqueza quanto as 3,6 bilhões de pessoas que compõem a metade mais pobre do planeta. Também é verdade que a riqueza acumulada pelo 1% mais abastado da população mundial equivale à riqueza dos 99% restantes. Estes números são parte de um relatório da Oxfam — ONG britânica anti-pobreza — baseado em dados da revista de negócios Forbes e no relatório do banco Credit Suisse sobre distribuição da riqueza global. 

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