sistemas vivos

Um mundo vivo

Um mundo vivo

Não só fazemos parte de uma teia viva como o planeta em si é uma entidade viva: Gaia. Essa percepção nos dá uma nova motivação enquanto sociedade. Os nossos dons e talentos — cultura e tecnologia, por exemplo — ganham um novo sentido.

Não mais temos que impor o nosso design no mundo através da dominação pois reconhecemos que existe uma inteligência viva. O mundo deixa de ser uma aleatoriedade errante e passa a ser um organismo vivo e inteligente. O planeta passa a ter uma essência e um sonho.

O nosso papel, então, é contribuir para a realização deste sonho. Abdicamos do nosso ímpeto colonizador, aquele que quer conhecer para dominar, e reconhecemos Gaia. Ao reconhecer Gaia, nos percebemos enquanto co-criadores da vida.

O nosso objetivo, então, é participar de forma apropriada. Observar, ouvir, sentir, pensar… para então contribuir. Contribuir com Gaia, que é, de fato, contribuir com nós mesmos.

Foto: Christopher Alvarenga

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Projetos que se tornam legados

Projetos que se tornam legados

Se o seu objetivo é criar um projeto de impacto positivo, não comece pelo projeto em si, comece pelo lugar que ele ocupa.

A sustentabilidade de um sistema vivo está ligada diretamente com a sua integração benéfica com o sistema maior de que faz parte.

Assim, no início de um projeto regenerativo a nossa atenção está toda voltada para o lugar.

Desta forma, a primeira tarefa que temos é uma investigação que nos oriente no entendimento deste lugar.

Quais as suas características únicas, como se dão os seus relacionamentos? Qual a vontade desse lugar? Qual a sua essência, o seu espírito?

Nessa investigação dois conceitos são fundamentais: aninhamento e interdependência.

Estar aninhado significa que existe um padrão de organização de sistemas dentro de sistemas e um interesse mútuo entre esses diferentes níveis baseado nas energias que são trocadas através deles.

Se a saúde de um nível se deteriora a saúde dos demais níveis são afetadas. Perceba como a deterioração dos rins, por exemplo, reflete no corpo todo.

Se nós quisermos criar projetos que são regenerativos então teremos que entender os sistemas que eles estão aninhados pois são estes sistemas que nós iremos regenerar.

Desta perspectiva, o potencial que emerge do lugar advém do relacionamento entre o que torna um lugar único e o valor que esta singularidade pode levar para o sistema maior em que ele está aninhado.

Assim, a busca primordial do desenvolvimento regenerativo é revelar um papel singular que seja capaz de contribuir significativamente para a saúde do lugar em questão.

Desta forma, temos projetos que se tornam indispensáveis para a comunidade de vida local.

Projetos que se tornam legados e fonte de inspiração.

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A era ecológica (parte 1)

A era ecológica (parte 1)

A era ecológica é uma passagem necessária da humanidade na Terra

Essa sequência de três textos intitulados “A era ecológica” é inspirada pelas reflexões de Thomas Berry no livro “O sonho da Terra”. Ele é considerado um dos grandes nomes do pensamento ecológico. Exerceu os ofícios de sacerdote católico, historiador cultural, eco-teólogo e gostava de ser referido como cosmólogo e acadêmico da Terra.

A maneira como temos escolhido habitar a Terra aponta sinais de fracasso. O “dia de sobrecarga da Terra”, isto é, o dia em que consumimos mais recursos do que a Terra é capaz de suprir e regenerar em um ano, acontece cada vez mais cedo. Em 2018 este dia foi 1 de Agosto. Nas tradições andinas, em 1 de Agosto é celebrado o dia em reverência à Pachamama.

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Uma abordagem ecológica para a regeneração em escala

Uma abordagem ecológica para a regeneração em escala

A vida se organiza em sistemas dentro de sistemas. Tomar consciência e ganhar clareza deste padrão é crucial para que possamos pensar projetos capazes de realizar a transformação sistêmica que desejamos.

Os melhores guias de design para a regeneração são os princípios ecológicos. Um entendimento dos padrões fundamentais da natureza proporciona uma base sólida para a intervenção em ambientes socioecológicos de forma que é possível reestabelecer a harmonia que foi quebrada anteriormente pela aplicação dos princípios mecanicistas e pela simplificação dos sistemas vivos (BENNE e MANG, 2015). Este artigo explora três princípios ecológicos capazes de aumentar o entendimento de como é possível trabalhar o desenvolvimento regenerativo em escala.

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A regeneração é um paradigma — o que isso quer dizer?

A regeneração é um paradigma — o que isso quer dizer?

A regeneração é um paradigma fruto de uma visão de mundo particular, a visão de mundo dos sistemas vivos.

Como visão de mundo entenda uma forma particular de enxergar, entender e se relacionar com o contexto em que estamos inseridos. Para tanto, é necessário um conjunto específico de ferramentas capazes de materializar esta visão particular. Este conjunto de ferramentas é o paradigma associado.

Sendo um paradigma, a regeneração é fundamentada em conceitos e crenças particulares sobre como o mundo funciona.

Entre eles está a percepção de que todos os seres vivos são únicos e se organizam de forma aninhada com outros sistemas vivos maiores.

E também o pressuposto de que todo organismo vivo possui, a partir de suas características únicas, um potencial inerente capaz de beneficiar o sistema maior a que pertence.

Desta forma, temos que a regeneração só acontece a partir de uma relação de reciprocidade onde uma entidade viva realiza um papel capaz de gerar saúde e vitalidade para o sistema em que está inserida e que, por sua vez, é beneficiada por este sistema maior.

Assim, o paradigma regenerativo não é uma forma prescrita de se fazer as coisas. É um processo que requer educação e desenvolvimento onde aprendemos a ver o mundo com novos olhos.

O desenvolvimento regenerativo nos serve, então, oferecendo quadros conceituais que orientam nossos pensamentos de forma a alinhar as atividades humanas com a inteligência dos sistemas vivos.

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Regeneração – um catalisador para a evolução de sistemas vivos

Regeneração – um catalisador para a evolução de sistemas vivos

Sistemas vivos saudáveis estão constantemente ocupados em realizar quatro diferentes naturezas de trabalho. Todas elas são necessárias para que uma entidade viva se sustente e se desenvolva no ambiente dinâmico e complexo a que pertence.

Formulado por Charles Krone, o quadro conceitual “níveis de trabalho” descreve estas diferentes naturezas. Os níveis inferiores, operar e manter, focam em aspectos da existência, ou seja, no que já existe hoje. Já os níveis superiores, aprimorar e regenerar, focam em aspectos potenciais, isto é, o que poderia mas ainda não existe.

Em um sistema evolutivo o nível regenerar funciona como um guia para os demais permitindo que o sistema como um todo evolua em harmonia com o seu ambiente. Profissionais devem utilizar este quadro conceitual para pensar uma integração consciente entre todos os níveis de trabalho. Além disso, a partir desta formulação é possível visualizar como e onde diferentes abordagens de sustentabilidade servem e como elas podem ser potencializadas se estiverem organizadas em torno de um objetivo regenerativo (Mang e Haggard, 2016).

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Terra, um organismo vivo

Terra, um organismo vivo

A devastação dos sistemas de suporte à vida no planeta é sintomática da visão de mundo que orienta a civilização moderna, uma sociedade de crescimento industrial. 

O entendimento que se tem do planeta pode ser tão diverso quanto são as visões de mundo das comunidades humanas que dele fazem parte. O nosso entendimento sobre o que é e como funciona o planeta condiciona as relações que estabelecemos com ele e como nele atuamos. Diante dos atuais danos infligidos à Terra, é fundamental revisarmos a maneira como a entendemos para, assim, tornar possível uma participação mais apropriada da humanidade em seu organismo vivo.

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Mudanças no entendimento sobre a sustentabilidade — equilíbrio, resiliência e coevolução

Mudanças no entendimento sobre a sustentabilidade — equilíbrio, resiliência e coevolução

Deixar claro como um projeto ou organização entende a sustentabilidade possibilita a definição de estratégias e metas adequadas.

Muito se fala sobre sustentabilidade, mas pouco sobre o que realmente queremos dizer com isso. O significado deste conceito está em evolução. À medida que interagimos com a realidade complexa e viva do mundo e incorporamos contribuições de ciências emergentes — como a teoria dos sistemas vivos, pensamento sistêmico e complexidade — aprofundamos e evoluímos o conceito.

É possível discernir três fases sobrepostas na evolução do conceito de sustentabilidade. Cada uma contribui para o entendimento da fase seguinte e tem uma importância particular.

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Entendendo o lugar como um sistema vivo

Entendendo o lugar como um sistema vivo

Ver os lugares como sistemas vivos nos faz perceber relações ocultas e pontos de intervenção poderosos

O desenvolvimento regenerativo tem como premissa básica o entendimento do lugar a partir de uma visão sistêmica. Nicholas Mang (2009), em seu trabalho The Rediscovery of Place and Our Human Role Within It, traz uma importante contribuição ao definir o fenômeno “lugar” a partir de uma visão dos sistemas vivos.

A resposta para a pergunta “O que é o lugar?” foi sintetizada em seis atributos distintos. São eles: (1) Interconectado e aninhado, (2) Delimitado e único em sua identidade, (3) Agregador de valor, (4) Concentrador e enriquecedor, (5) Magnético e ordenador e (6) Dinâmico e evolucionário.

Juntos, estes seis atributos ajudam a identificar e definir o que é o lugar, assim como oferecem um meio para avaliar o grau de saúde, equilíbrio e integração do lugar como um fenômeno vivo.

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Fundamentos dos sistemas vivos

Fundamentos dos sistemas vivos

Entender como os sistemas vivos funcionam é a base para o desenvolvimento regenerativo

Um entendimento claro dos princípios ecológicos é fundamental para a prática do desenvolvimento regenerativo. Estes conceitos orientarão tanto a maneira de se pensar e conduzir os processos de concepção e design, assim como guiarão as práticas e ações em campo. Tais princípios, em última análise, descrevem os padrões e processos pelos quais a natureza sustenta a vida. A seguir, de forma sucinta, começaremos a explorar os princípios ecológicos de redes, sistemas aninhados (holarquias), ciclos, fluxos, desenvolvimento e equilíbrio dinâmico.

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