Artigo

O que é a vida? — Uma comunidade regenerativa

O que é a vida? — Uma comunidade regenerativa

Escrito por Daniel Christian Wahl e traduzido por Felipe Tavares.

A vida — como um processo planetário — é uma comunidade regenerativa! Nas palavras de Janine Benyus: “A vida cria condições propícias ​​à vida”.

Para mim, a palavra “regenerativo” refere-se à capacidade inerente da vida de expressar a essência única de cada lugar através de diversidade elegantemente adaptada. Essa diversidade não apenas muda constantemente e evolui para níveis mais altos de complexidade e colaboração, como também contribui para tornar o local mais abundante, vibrante e favorável a mais vida ao longo do tempo.

Continue reading →

Posted by Felipe Tavares in Artigo, 0 comments
Da consciência ego-sistêmica à consciência eco-sistêmica

Da consciência ego-sistêmica à consciência eco-sistêmica

[Este texto é parte do material de apoio da jornada Em busca da Visão – propósito pessoal a serviço de Gaia cuja versão online será lançada no começo de 2020]

“No estado presente das coisas, a sobrevivência da humanidade depende de que as pessoas desenvolvam uma preocupação sincera com toda a humanidade e não apenas com sua própria comunidade ou nação. A realidade da nossa situação nos impele a agir e a pensar com mais clareza. A mentalidade estreita e o pensamento autocentrado podem ter nos servido bem no passado, mas hoje só poderá nos levar ao desastre.” — Joanna Macy

Otto Scharmer, professor titular do Instituto de Tecnologia de Massachusetts e co-fundador do Presencing Institute, também entende que vivemos um processo de transição de histórias e de consciências. Para ele, é fundamental e inevitável a aceleração de mudanças de paradigma e, mais profundamente, a mudança de uma consciência ego-sistêmica para uma consciência eco-sistêmica.

Continue reading →

Posted by Juliana Diniz in Artigo, 0 comments
Do Antropoceno ao Ecozóico

Do Antropoceno ao Ecozóico

[Este texto é parte do material de apoio da jornada Em busca da Visão – propósito pessoal a serviço de Gaia cuja versão online será lançada no começo de 2020]

A grande obra de cada tempo histórico

“Todos nós temos nosso trabalho particular. Temos uma variedade de ocupações. Mas além do trabalho que desempenhamos e da vida que levamos, temos uma Grande Obra na qual todos estamos envolvidos e da qual ninguém está isento: é a obra de deixar uma Era Cenozóica terminal e ingressar na nova Era Ecozóica na história do planeta Terra.” —  Thomas Berry

Para Thomas Berry, acadêmico da Terra como gostava de ser chamado, cada época histórica tem a sua grande obra. A grande obra do Paleolítico foi a expansão humana a partir da África. Este processo esteve associado à criação de linguagem, rituais e estruturas sociais pelas comunidades caçadoras-coletoras. A grande obra do Neolítico foi o estabelecimento de comunidades agrícolas em territórios socioecológicos cujas paisagens foram manejadas através da prática extrativista e agrícola. 

Continue reading →

Posted by Juliana Diniz in Artigo, 0 comments
Da sociedade de crescimento industrial à sociedade que sustenta a vida

Da sociedade de crescimento industrial à sociedade que sustenta a vida

[Este texto é parte do material de apoio da jornada Em busca da Visão – propósito pessoal a serviço de Gaia cuja versão online será lançada no começo de 2020]

“A característica mais marcante deste momento histórico não é que estamos a caminho de destruir nosso mundo — na verdade, estamos neste caminho há algum tempo. É que estamos começando a despertar de um sono de milênios para um relacionamento totalmente novo com o nosso mundo, com nós mesmos e com os outros.” — Joanna Macy

A sociedade de crescimento industrial fez das pessoas engrenagens na roda da produção e do consumo e está devastando os recursos limitados da natureza. Ela nos isolou do mundo natural e nos fez perder a percepção de nossa conexão com todos os seres. Mais ainda, ela nos fez esquecer que nós somos a própria Terra tomando consciência de si mesma. A visão analítica e mecânica característica dessa sociedade obscureceu a visão holística e orgânica dos fenômenos impedindo-nos de ver a vasta e complexa rede de relações interdependentes de todos com tudo.

Continue reading →

Posted by Juliana Diniz in Artigo, 0 comments
Entre histórias

Entre histórias

[Este texto é parte do material de apoio da jornada Em busca da Visão – propósito pessoal a serviço de Gaia cuja versão online será lançada no começo de 2020]

“É tudo uma questão de histórias. Nós estamos em problemas agora porque não temos uma boa história. Nós estamos entre histórias. A velha história, e a forma como nos encaixamos nela, não é mais efetiva. Mas nós ainda não aprendemos a nova história.” — Thomas Berry

Sabemos que abaixo dos sintomas do mundo — da violência assistida contra a natureza, o outro e nós mesmos — há estruturas de organização, paradigmas de pensamento e estados de consciência particulares. Essa dimensão oculta do iceberg abarca as narrativas e histórias que nos orientam no mundo. Nós as reproduzimos inconscientemente e nos movemos através das crenças, valores e visão de mundo que elas informam e que nos foram introjetados desde que nascemos.

Continue reading →

Posted by Juliana Diniz in Artigo, 0 comments
Transformação pessoal e mudança social

Transformação pessoal e mudança social

O desafio do nosso tempo é assumir 100% de autorresponsabilidade e 100% de engajamento social

“Somos o que fazemos, mas somos, principalmente, o que fazemos para mudar o que somos.” — Eduardo Galeano

Muitos de nós temos o desejo sincero de transformar o mundo. Mas poucos de nós incorporamos a verdade de que a mudança dos sistemas sociais só é possível quando somos capazes de transformar, antes, o nosso lugar e comunidade e, ao mesmo tempo, a nós mesmos.

A transformação pessoal e a mudança social são interdependentes. O autoconhecimento, o autodesenvolvimento e a autotransformação são necessários na medida em que servem à mudança social. Se não, eles acabam se tornando um meio de enclausuramento pessoal associado à satisfação do auto-interesse desconectado dos outros e do mundo. 

Do mesmo modo, a mudança social só é legítima através da transformação pessoal de padrões de pensamento, reações emocionais e comportamentos limitantes que comprometem a saúde das comunidades humanas e dos sistemas vivos.

E a condição que abre caminhos para a transformação pessoal e mudança social é a crise. A intensidade da crise é inversamente proporcional ao grau de responsabilidade que assumimos frente a ela. Em outras palavras, quanto menor a resistência e maior o engajamento no seu enfrentamento, menos intensa a crise.

Na autotransformação, mais do que na mudança social, é onde temos maior autonomia e podemos assumir maior responsabilidade. Mas também é onde encontramos as maiores dificuldades. 

Vivemos em uma sociedade patriarcal que glorifica a conquista enquanto condena o trauma e a dor, e que celebra a previsibilidade e o controle enquanto rechaça a incerteza. Com esse pano de fundo, as crises pessoais e sociais encharcadas de trauma, dor e incerteza são comumente negadas por serem vistas como ameaças. Essa perspectiva, presente no consciente e inconsciente coletivo, nos mantém indispostos à transformação pessoal e inseguros em relação ao nosso poder de intervenção na dinâmica social.

No entanto, quanto menos assumimos nossa responsabilidade enquanto agentes de transformação em um mundo em transição que clama pela nossa participação, mais as crises de intensificam. Afinal, a crise é o convite para a revelação de um potencial que deve emergir. Ela só desaparece quando um potencial, antes desconhecido, é revelado.

Os picos de biodiversidade acontecem no planeta após sérias crises nas condições climáticas adequadas à sobrevivência da maioria das espécies. Inspirados na inteligência da natureza, nós somos chamados a ver as crises como oportunidades para desenvolvermos resiliência criativa ao manifestar novas formas de pensar, sentir, agir, ser e se relacionar. 

Já é hora de pararmos de recriar trauma ao redor devido à nossa incapacidade de enfrentar o sofrimento pessoal e as mudanças de comportamento que daí devem nascer. Já é hora de superarmos o hábito imaturo de terceirizar as decisões, soluções e responsabilidade pela nossa saúde pessoal e pela saúde planetária.

A situação atual do planeta e da humanidade é resultado da soma das pequenas decisões tomadas por cada um a todo o tempo. Parafraseando o ativista político Eldridge Cleaver, se não somos parte da solução, somos parte do problema. O planeta arde nas chamas provocadas pelo nosso silêncio apático na construção de um outro mundo possível. Façamos a diferença, sejamos a solução — começando já.

“Todos nós temos o que precisamos para fazermos o que queremos acontecer.” — John Hardman

[Este texto é parte do material de apoio da jornada Em busca da Visão – propósito pessoal a serviço de Gaia cuja versão online será lançada no começo de 2020]

_

Se este texto fez sentido para você, participe conosco da aula online gratuita Autotransformação & Transformação Sistêmica no dia 17/09 (terça-feira) das 19h às 20h30. Cadastre-se aqui.

Posted by Juliana Diniz in Artigo, 0 comments
O mundo como um iceberg

O mundo como um iceberg

[Este texto é parte do material de apoio da jornada Em busca da Visão – propósito pessoal a serviço de Gaia cuja versão online será lançada no começo de 2020]

“A primeira condição para modificar a realidade consiste em conhecê-la.” — Eduardo Galeano

Toda e qualquer mudança começa com a investigação das questões estruturais e dos paradigmas de pensamento mais profundos que nos fazem colocar em cena, repetidamente, os mesmos problemas.

Enquanto humanidade nós temos grandes problemas:

  • Uma pegada ecológica de 1,5 planetas;
  • 3,4 bilhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza;
  • 8 bilionários com a riqueza equivalente de 3,6 bilhões de pessoas;
  • O 1% mais abastado da população mundial equivalente à riqueza dos 99% restantes;
  • 300 milhões de pessoas acometidas por depressão;
  • 883 mil suicídios a cada ano;
  • Mais pessoas se matando do que mortas em assassinatos, guerras e desastres naturais.

Ninguém está acordando de manhã e se preparando para mais um dia de destruição da natureza, de violência contra outras pessoas e querendo aumentar seu próprio nível de infelicidade. Mas é exatamente isso que estamos fazendo.

Continue reading →

Posted by Juliana Diniz in Artigo, 0 comments
A separação espiritual ou psicológica

A separação espiritual ou psicológica

[Este texto é parte do material de apoio da jornada Em busca da Visão – propósito pessoal a serviço de Gaia cuja versão online será lançada no começo de 2020]

Por todo o mundo as pessoas concordam que a civilização moderna está falida e que enfrentamos enormes desafios que nos exigem uma profunda mudança pessoal e social. Provavelmente não concordamos em relação às soluções, mas concordamos sobre os problemas. Podemos resumir os problemas do mundo em três cenários: a separação ecológica, a separação social e a separação espiritual ou psicológica¹.

A separação espiritual ou psicológica

Enquanto a separação ecológica trata da desconexão entre o “eu” e a “natureza” e a separação social da desconexão entre o “eu” e o “outro”, a separação espiritual ou psicológica diz respeito à desconexão entre o “eu” e o “Eu” — entre quem eu sou hoje e quem eu posso ser amanhã. O “eu” representa também o nosso “eu limitado” enquanto o “Eu” trata do “eu potencial”. 

A desconexão entre esses dois “eus” resulta na intensificação de sintomas de stress, esgotamento, ansiedade, depressão e até risco de suicídio. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a depressão é um transtorno comum em todo o mundo atingindo mais de 300 milhões de pessoas pelo globo. Diferente de uma tristeza transitória, ela é uma doença psiquiátrica crônica e recorrente caracterizada por alteração de humor associada a sentimentos de amargura, desencanto, desesperança, baixa autoestima e culpa. 

Continue reading →

Posted by Juliana Diniz in Artigo, 0 comments
A separação social

A separação social

[Este texto é parte do material de apoio da jornada Em busca da Visão – propósito pessoal a serviço de Gaia cuja versão online será lançada no começo de 2020.]

Por todo o mundo as pessoas concordam que a civilização moderna está falida e que enfrentamos enormes desafios que nos exigem uma profunda mudança pessoal e social. Provavelmente não concordamos em relação às soluções, mas concordamos sobre os problemas. Podemos resumir os problemas do mundo em três cenários: a separação ecológica, a separação social e a separação espiritual ou psicológica¹.

A separação social

A separação social é bem conhecida por todos nós. Invariavelmente nos deparamos com as suas consequências em nosso cotidiano. Ela diz respeito aos níveis crescentes de desigualdade, injustiça e tensões sociais.

Enquanto 1,5 é o número que define a separação ecológica porque representa a pegada ecológica da humanidade no planeta, 8 é um dos números que define a separação social. Hoje, 8 bilionários possuem tanta riqueza quanto as 3,6 bilhões de pessoas que compõem a metade mais pobre do planeta. Também é verdade que a riqueza acumulada pelo 1% mais abastado da população mundial equivale à riqueza dos 99% restantes. Estes números são parte de um relatório da Oxfam — ONG britânica anti-pobreza — baseado em dados da revista de negócios Forbes e no relatório do banco Credit Suisse sobre distribuição da riqueza global. 

Continue reading →

Posted by Juliana Diniz in Artigo, 0 comments
A separação ecológica

A separação ecológica

[Este texto é parte do material de apoio da jornada Em busca da Visão – propósito pessoal a serviço de Gaia cuja versão online será lançada no começo de 2020.]

Por todo o mundo as pessoas concordam que a civilização moderna está falida e que enfrentamos enormes desafios que nos exigem uma profunda mudança pessoal e social. Provavelmente não concordamos em relação às soluções, mas concordamos sobre os problemas. Podemos resumir os problemas do mundo em três cenários: a separação ecológica, a separação social e a separação espiritual¹.

A separação ecológica

A separação ecológica diz respeito à separação que existe entre o “eu” e a “natureza”. Nós, enquanto economia global, usamos anualmente os recursos naturais 1,5 mais rápido que a sua capacidade de regeneração. Isso quer dizer que estamos esgotando os recursos naturais a cada ano. Embora tenhamos apenas um planeta, deixamos uma pegada ecológica de 1,5 planetas. Estamos usando 50% mais recursos do que os sistemas vivos são capazes de regenerar para atender às nossas atuais necessidades de consumo.

Continue reading →

Posted by Juliana Diniz in Artigo, 0 comments