ativismo

A dor do mundo e a cura planetária

A dor do mundo e a cura planetária

O amortecimento da dor

“Resistir a informações dolorosas, alegando que não podemos fazer nada, resulta menos da impotência (medida pela nossa capacidade de efetuar mudanças) do que do medo de nos sentirmos impotentes.” — Joanna Macy

Nós pensamos que o fato de reproduzirmos globalmente resultados que não queremos se deve à ignorância e indiferença das pessoas em relação ao que precisa ser transformado. É comum pensar que as pessoas não têm noção do que está acontecendo no mundo ou que, se sabem, simplesmente não se importam. No entanto, todos os dias somos confrontados com notícias que evidenciam a insanidade humana. Nos noticiários isso é tudo o que se veicula e é como, inclusive, se faz audiência. As dores do mundo estão evidentes. Apesar disso, permanecemos indiferentes. 

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Do caos global à resiliência interna

Do caos global à resiliência interna

Atravessando o colapso em conexão com a vida

Desde o ano passado, muitas tragédias atravessam as nossas vidas. Avanço de governos anti-progressistas, escalada de tensão entre regimes imperialistas, crises políticas em toda a América Latina, crimes ambientais no Brasil, gravíssimos incêndios na Austrália e Amazônia, aceleração das mudanças climáticas e recordes de calor — só para citar alguns.

Eventos de ordem política, social e ecológica continuamente nos tiram do aparente conforto individualista e evidenciam a nossa interdependência.

E agora uma pandemia — de alguma forma previsível, mas totalmente negligenciada — muda os nossos hábitos, nos faz suspender premissas nunca questionadas, corporificar princípios até então abstratos, experimentar emoções que tanto evitamos e confrontar verdades desconcertantes.

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Acordar a gratidão

Acordar a gratidão

“Nós temos que ter coragem de ser radicalmente vivos. E não negociar sobrevivência.”  — Ailton Krenak

Qual o lugar da apreciação, da gratidão e da celebração nas nossas vidas? Existir neste contexto planetário e tempo histórico é um motivo suficiente pelo qual sermos gratos?

A palavra “gratidão” se tornou recorrente nas nossas interações. Às vezes ela até pode soar piegas, um vício verbal new age esvaziado de significado.

Com a Ecologia Profunda e o trabalho da Joanna Macy, essa palavra ganhou um sentido diferente e muito potente pra mim.

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Saúde pessoal e saúde planetária

Saúde pessoal e saúde planetária

Como permanecer são em um mundo que queima?

Não há nada que façamos que não afete a integridade da Terra. 

Mais do que afetar, nós nos tornamos uma força que está alterando dramaticamente a estrutura e o funcionamento do planeta.

O comprometimento da saúde planetária está diretamente relacionado à saúde pessoal. 

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Petróleo e o cerne da questão

Petróleo e o cerne da questão

O derramamento de petróleo que atingiu o litoral brasileiro e a cobertura da mídia deixa claro a incapacidade dos meios de comunicação de discutir o cerne da questão. É preciso reformular o problema.

É certo que a origem do derramamento, os impactos imediatos, o envolvimento dos voluntários na limpeza e os desdobramentos políticos são importantes e dignos de nota. Também é crucial, na era da pós-verdade, tomar algum tempo para desmentir notícias falsas. Mas não podemos aceitar o discurso superficial do “a culpa não é minha”.

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Como vocês se atrevem?

Como vocês se atrevem?

O mundo está sendo sacudido por uma voz contundente. Improvável e contundente.
 
Emocionada, como quem sente a dor da perda, Greta Thunberg explode sua mensagem no colo dos líderes da decadente sociedade industrial: “está tudo errado”.
 
Está tudo errado, e ainda assim governantes são incapazes de encarar com seriedade o descompasso desastroso do metabolismo industrial com a inteligência dos sistemas vivos.
 
“Como vocês se atrevem? Vocês roubaram meus sonhos e minha infância com as suas palavras vazias. Pessoas estão sofrendo. Estamos no começo de uma extinção em massa, ecossistemas estão colapsando e tudo o que vocês conseguem é falar sobre mitos de crescimento econômico eterno. Como vocês se atrevem?”
 
Como se atrevem a subsidiar a indústria fóssil? Como se atrevem a colocar lucros corporativos acima da integridade da vida no planeta? Como se atrevem a negar o inegável?
 
A nova geração, a geração da rebelião pelo clima, coloca o dedo na cara da cúpula global e brada: “cresça!”. Cresça e tenha a seriedade de uma criança.
 
Assim, a geração de Greta toma para si a liderança e faz a maior inflexão da história. Uma virada que coloca crianças e adolescentes em um novo papel, o papel de assumir as responsabilidades que as outras gerações já deveriam ter assumido há tempos.
 
Greta Thunberg, uma voz contundente. Improvável e contundente.
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Transformação pessoal e mudança social

Transformação pessoal e mudança social

O desafio do nosso tempo é assumir 100% de autorresponsabilidade e 100% de engajamento social

“Somos o que fazemos, mas somos, principalmente, o que fazemos para mudar o que somos.” — Eduardo Galeano

Muitos de nós temos o desejo sincero de transformar o mundo. Mas poucos de nós incorporamos a verdade de que a mudança dos sistemas sociais só é possível quando somos capazes de transformar, antes, o nosso lugar e comunidade e, ao mesmo tempo, a nós mesmos.

A transformação pessoal e a mudança social são interdependentes. O autoconhecimento, o autodesenvolvimento e a autotransformação são necessários na medida em que servem à mudança social. Se não, eles acabam se tornando um meio de enclausuramento pessoal associado à satisfação do auto-interesse desconectado dos outros e do mundo. 

Do mesmo modo, a mudança social só é legítima através da transformação pessoal de padrões de pensamento, reações emocionais e comportamentos limitantes que comprometem a saúde das comunidades humanas e dos sistemas vivos.

E a condição que abre caminhos para a transformação pessoal e mudança social é a crise. A intensidade da crise é inversamente proporcional ao grau de responsabilidade que assumimos frente a ela. Em outras palavras, quanto menor a resistência e maior o engajamento no seu enfrentamento, menos intensa a crise.

Na autotransformação, mais do que na mudança social, é onde temos maior autonomia e podemos assumir maior responsabilidade. Mas também é onde encontramos as maiores dificuldades. 

Vivemos em uma sociedade patriarcal que glorifica a conquista enquanto condena o trauma e a dor, e que celebra a previsibilidade e o controle enquanto rechaça a incerteza. Com esse pano de fundo, as crises pessoais e sociais encharcadas de trauma, dor e incerteza são comumente negadas por serem vistas como ameaças. Essa perspectiva, presente no consciente e inconsciente coletivo, nos mantém indispostos à transformação pessoal e inseguros em relação ao nosso poder de intervenção na dinâmica social.

No entanto, quanto menos assumimos nossa responsabilidade enquanto agentes de transformação em um mundo em transição que clama pela nossa participação, mais as crises de intensificam. Afinal, a crise é o convite para a revelação de um potencial que deve emergir. Ela só desaparece quando um potencial, antes desconhecido, é revelado.

Os picos de biodiversidade acontecem no planeta após sérias crises nas condições climáticas adequadas à sobrevivência da maioria das espécies. Inspirados na inteligência da natureza, nós somos chamados a ver as crises como oportunidades para desenvolvermos resiliência criativa ao manifestar novas formas de pensar, sentir, agir, ser e se relacionar. 

Já é hora de pararmos de recriar trauma ao redor devido à nossa incapacidade de enfrentar o sofrimento pessoal e as mudanças de comportamento que daí devem nascer. Já é hora de superarmos o hábito imaturo de terceirizar as decisões, soluções e responsabilidade pela nossa saúde pessoal e pela saúde planetária.

A situação atual do planeta e da humanidade é resultado da soma das pequenas decisões tomadas por cada um a todo o tempo. Parafraseando o ativista político Eldridge Cleaver, se não somos parte da solução, somos parte do problema. O planeta arde nas chamas provocadas pelo nosso silêncio apático na construção de um outro mundo possível. Façamos a diferença, sejamos a solução — começando já.

“Todos nós temos o que precisamos para fazermos o que queremos acontecer.” — John Hardman

[Este texto é parte do material de apoio da jornada Em busca da Visão – propósito pessoal a serviço de Gaia cuja versão online será lançada no começo de 2020]

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Se este texto fez sentido para você, participe conosco da aula online gratuita Autotransformação & Transformação Sistêmica no dia 17/09 (terça-feira) das 19h às 20h30. Cadastre-se aqui.

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Descolonizar é preciso

Descolonizar é preciso

Ainda que os regimes coloniais institucionalizados tenham acabado, a herança colonial permeia a estrutura social e a mentalidade das pessoas. A colonialidade é a face oculta da modernidade que persiste nos dias atuais. Descolonizar segue sendo preciso e urgente.

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Vamos conseguir?

Vamos conseguir?

Seremos capazes de superar os desafios de nosso tempo e construir um mundo viável? Não é tarde demais? Difícil demais?

Esta é uma indagação comum dos agentes de transformação. E quando dirigida a mim, eu respondo: não importa.

Não me interessa calcular as chances da humanidade sair da armadilha que criou para si. Não me interessa nem mesmo sustentar a civilização como está.

Mas me interessa contribuir a partir da minha melhor visão. Isso porque sei que o futuro se faz a partir de sucessivos presentes. E viver hoje da forma como acreditamos que devemos viver, desafiando tudo o que há de ruim a nossa volta, é por si só uma vitória maravilhosa.

A salvação da humanidade, esta tarefa colossal, não cabe a nós. Isso é um equívoco. Não é este o nosso objetivo.

O nosso objetivo é criar ilhas de sanidade em um mar de intolerância, egoísmo e ganância.

Você pode, com a influência que possui, criar espaços potentes para trabalhar e vivenciar aquilo que você acredita ser a melhor expressão da humanidade. Você pode viver o futuro hoje.

Em tempos incertos, quem escolhemos ser?

Foto: Clkraus

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Como as mudanças acontecem?

Como as mudanças acontecem?

Somos ignorantes quanto a natureza dos processos de mudança. Diante a urgência de mudar cenários sociais negligenciamos a complexidade do mundo e do ser humano. O resultado disso é que priorizamos pelo que lutar em relação ao como lutar. Inevitavelmente, reproduzimos comportamentos que criam resultados diferentes dos que pretendíamos. Como sair dessa cilada? Entender como as mudanças pessoais e sociais acontecem é o primeiro passo.

Este é o quinto texto de uma sequência de cinco artigos que nos convoca a assumir o papel de ativistas radicais a serviço da construção de um mundo possível. A sequência é: Nós somos aqueles por quem esperávamos, O paradoxo do ativismo conservador, O ativismo radical, Como vemos o mundo? e Como as mudanças acontecem?. Acompanhe e assuma a sua identidade enquanto agente de transformação neste mundo em transição.

O que está por trás dos feitos revolucionários?

Existe uma ignorância total sobre os processos de mudança. Endeusamos líderes responsabilizando-os pelo sucesso ou fracasso das viradas históricas. No contexto das revoluções o grande público fica sabendo de apenas 1% do processo revolucionário: o enfrentamento direto (Barter, 2016). Mas a mudança social acontece através de um processo de construção coletiva e prática contínua dos valores que orientam a transformação pretendida. Este trabalho demorado e árduo permanece invisível.

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