autotransformação

Transformação pessoal e mudança social

Transformação pessoal e mudança social

O desafio do nosso tempo é assumir 100% de autorresponsabilidade e 100% de engajamento social

“Somos o que fazemos, mas somos, principalmente, o que fazemos para mudar o que somos.” — Eduardo Galeano

Muitos de nós temos o desejo sincero de transformar o mundo. Mas poucos de nós incorporamos a verdade de que a mudança dos sistemas sociais só é possível quando somos capazes de transformar, antes, o nosso lugar e comunidade e, ao mesmo tempo, a nós mesmos.

A transformação pessoal e a mudança social são interdependentes. O autoconhecimento, o autodesenvolvimento e a autotransformação são necessários na medida em que servem à mudança social. Se não, eles acabam se tornando um meio de enclausuramento pessoal associado à satisfação do auto-interesse desconectado dos outros e do mundo. 

Do mesmo modo, a mudança social só é legítima através da transformação pessoal de padrões de pensamento, reações emocionais e comportamentos limitantes que comprometem a saúde das comunidades humanas e dos sistemas vivos.

E a condição que abre caminhos para a transformação pessoal e mudança social é a crise. A intensidade da crise é inversamente proporcional ao grau de responsabilidade que assumimos frente a ela. Em outras palavras, quanto menor a resistência e maior o engajamento no seu enfrentamento, menos intensa a crise.

Na autotransformação, mais do que na mudança social, é onde temos maior autonomia e podemos assumir maior responsabilidade. Mas também é onde encontramos as maiores dificuldades. 

Vivemos em uma sociedade patriarcal que glorifica a conquista enquanto condena o trauma e a dor, e que celebra a previsibilidade e o controle enquanto rechaça a incerteza. Com esse pano de fundo, as crises pessoais e sociais encharcadas de trauma, dor e incerteza são comumente negadas por serem vistas como ameaças. Essa perspectiva, presente no consciente e inconsciente coletivo, nos mantém indispostos à transformação pessoal e inseguros em relação ao nosso poder de intervenção na dinâmica social.

No entanto, quanto menos assumimos nossa responsabilidade enquanto agentes de transformação em um mundo em transição que clama pela nossa participação, mais as crises de intensificam. Afinal, a crise é o convite para a revelação de um potencial que deve emergir. Ela só desaparece quando um potencial, antes desconhecido, é revelado.

Os picos de biodiversidade acontecem no planeta após sérias crises nas condições climáticas adequadas à sobrevivência da maioria das espécies. Inspirados na inteligência da natureza, nós somos chamados a ver as crises como oportunidades para desenvolvermos resiliência criativa ao manifestar novas formas de pensar, sentir, agir, ser e se relacionar. 

Já é hora de pararmos de recriar trauma ao redor devido à nossa incapacidade de enfrentar o sofrimento pessoal e as mudanças de comportamento que daí devem nascer. Já é hora de superarmos o hábito imaturo de terceirizar as decisões, soluções e responsabilidade pela nossa saúde pessoal e pela saúde planetária.

A situação atual do planeta e da humanidade é resultado da soma das pequenas decisões tomadas por cada um a todo o tempo. Parafraseando o ativista político Eldridge Cleaver, se não somos parte da solução, somos parte do problema. O planeta arde nas chamas provocadas pelo nosso silêncio apático na construção de um outro mundo possível. Façamos a diferença, sejamos a solução — começando já.

“Todos nós temos o que precisamos para fazermos o que queremos acontecer.” — John Hardman

[Este texto é parte do material de apoio da jornada Em busca da Visão – propósito pessoal a serviço de Gaia cuja versão online será lançada no começo de 2020]

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Posted by Juliana Diniz in Artigo, 0 comments