E se pudéssemos?

E se pudéssemos?

A crise múltipla que estamos vivendo não vai a lugar algum tão cedo. O efeito dominó está em seu início e a crise econômica e política ainda vai se agravar bastante.

Quando a pandemia de Covid-19 começar a parecer algo do passado, estaremos perto de um próximo choque “inesperado”.

Eu gostaria de parecer otimista — de fato, me considero um — mas o otimismo cego nos mata de fome na fila do pão. Melhor o otimismo realista capaz de enxergar os sinais de um mundo desmantelado e ainda acreditar que podemos encontrar caminhos de resiliência e vitalidade.

As instituições nunca estiveram tão fragilizadas e a sombra de um estado-monstro se aproxima rapidamente. É hora de darmos um passo à frente e assumirmos a responsabilidade que o momento demanda.

Um caminho para a saída deste túnel sombrio é o da criatividade ativista, da construção de futuros desejáveis. Este é o papel do otimista-realista — entender e comunicar que novas possibilidades são urgentes e possíveis.

Podemos começar, então, nos perguntando: e se…?

E se pudéssemos nos relacionar de outra forma com as pessoas mais próximas de nós?

E se pudéssemos nos preparar coletivamente para os próximos espaços de disputa política e carregar conosco virtudes condizentes com as necessidades do nosso tempo?

E se pudéssemos alcançar a inteligência coletiva das comunidades online para sustentar a motivação e orientar os caminhos das comunidades locais?

E se pudéssemos criar redes de redes que se fortalecem e criam as condições necessárias para a evolução de todos os seus membros?

E se pudéssemos criar a cidade que queremos, aquela que visualizamos na nossa melhor visão?

E se pudéssemos ressignificar a terra e a propriedade e buscar meios alternativos de habitação e produção de alimentos?

E se pudéssemos criar a nossa própria economia local, com o nosso próprio dinheiro que incentiva valores e virtudes elevadas?

A boa notícia é que podemos.

O que precisamos é de otimistas-realistas loucos o suficiente para acreditar que é possível.

Em Uberlândia encontramos pessoas inquietas e começamos a criar o nosso próprio dinheiro, o Pólen — uma moeda ecológica local. Somos loucos o suficiente para acreditar que é possível e que esta é a nossa única opção.

Foto: Sage Friedman

Posted by Felipe Tavares

Trabalho para conciliar o desenvolvimento social com a inteligência dos sistemas vivos. Acredito que a sustentabilidade começa com uma mudança de pensamento e não de técnicas.
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