Um plano de ação significativo (e possível)

Foto: Luis Eusebio

Entrar em um novo ciclo costuma despertar o desejo de planejar, organizar e definir metas.

Avaliar e projetar são capacidades humanas essenciais. Desde sempre, na história da humanidade, são elas que nos permitem sobreviver e nos mover no mundo porque nos ajudam a perceber onde estamos e a orientar para onde queremos ir.

Em momentos de transição de ciclo, como o início de um novo ano, e em uma sociedade produtivista, o desafio é não reduzir esse movimento a um planejamento estreito: metas estressantes, objetivos desconectados do contexto ou do momento e medidas que pouco dizem sobre a vida que estamos vivendo.

Quando planejar vira apenas “chegar lá” ou responder a pressões externas, ele deixa de ser suporte e passa a gerar ansiedade e desconexão.

Por isso, queremos te convidar a experimentar outra forma de avaliar e projetar — uma que integra estratégia, contexto e propósito, inspirada no funcionamento dos sistemas vivos. A partir do framework dos Níveis de Trabalho, olhamos para quatro dimensões que coexistem em qualquer prática viva: operar, manter, aprimorar e regenerar.

Essa lente nos ajuda a sair da lógica de desempenho e validação e a entrar em um movimento mais amplo de cuidado, aprendizagem e contribuição. Não se trata de reduzir ambições, mas de ganhar precisão: entender melhor o terreno em que pisamos em cada momento e que capacidades precisam ser desenvolvidas para sustentar nossas práticas ao longo do tempo.

Em vez de perguntar “o que eu preciso atingir?”, nos perguntamos:

  • Que tipo de vida quero que essa prática sustente?
  • Que capacidades preciso desenvolver para que minha prática responda às mudanças sem perder sua razão de ser?
  • Que objetivos manterão minha prática energizada, viável e em evolução?

Nosso próximo workshop Da operação à inovação — Construindo um plano de ação sistêmico é um convite para você se conectar à sua prática, identificar prioridades em cada nível de trabalho e construir um plano de ação estratégico e possível para o próximo ciclo.


WORKSHOP: Da operação à inovação
Construindo um plano de ação sistêmico
10 de fevereiro, terça, 19h às 21h30

Participe se inscrevendo no Círculo Regenerativo.
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Considerar o outro verdadeiramente

Considerar o outro verdadeiramente

Existe algo melhor do que sentir e poder contar com o entusiasmo e engajamento das pessoas?

Seja numa relação familiar, comunitária, de parceria de qualquer tipo ou de trabalho, a motivação das pessoas é um dos “recursos” mais preciosos. É o que possibilita fazermos coisas significativas juntos.

Mas apesar de muito valorizado e desejado, raramente ele é bem cuidado e nutrido.

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Posted by Juliana Diniz in Artigo, 0 comments
Paisagem Cultural: um olhar integral para o território

Paisagem Cultural: um olhar integral para o território

Recentemente tivemos a oportunidade de participar de uma formação técnica sobre Paisagens Culturais oferecida pelo IEPHA-MG.

Este conceito é importante para nós pois permite superar a dicotomia entre natureza e cultura, patrimônio material e imaterial, entendendo-os como um conjunto único, um todo vivo e dinâmico.

Paisagem cultural como totalidade viva

Não há “natureza” de um lado e “cultura” de outro, mas uma teia viva, resultado da interação histórica entre pessoas, ecossistemas, modos de vida e valores simbólicos. Reconhecer essa totalidade é reconhecer que o território é mais do que um somatório de bens materiais ou práticas imateriais: ele é um organismo vivo, onde os elementos só ganham sentido na relação que estabelecem uns com os outros.

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Posted by Felipe Tavares, 0 comments

O novo nasce sozinho, não precisa ser criado

Foto: Alex Hockett

Há um consenso entre grandes referências que atuam no campo social e do desenvolvimento organizacional de que uma intervenção pode ser transformadora se estiver apoiada no potencial latente dos sistemas, indivíduos, encontros, organizações, lugares.

Para Otto Scharmer, da Teoria U, trata-se de sustentar a atenção no campo do futuro emergente, algo que possibilita um fluxo de inteligência coletiva e cocriação.

Para o Regenesis e a Carol Sanford, o potencial inerente dos sistemas vivos em contribuírem de forma única aos todos de que fazem parte é o princípio que orienta toda a sua trajetória de desenvolvimento — e com o qual temos de nos conectar para apoiar o desenvolvimento das pessoas, suas iniciativas e territórios.

Allan Kaplan é enfático ao dizer que o trabalho do profissional do desenvolvimento deve ser o de “permitir que o processo do próprio organismo social evolua com integridade e justeza”, criando as condições favoráveis para isso.

Autonomia. Autodeterminação. Se colocar a serviço da vida. Conectar-se com o futuro emergente. Apoiar processos autônomos de desenvolvimento. Ver potencial genuíno além da condição aparente. Continue reading →

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Criando condições propícias ao desenvolvimento

No primeiro encontro do Programa de Desenvolvimento do Profissional de Impacto trabalhamos a ideia de resourcing — ser recurso a serviço do desenvolvimento da vida.

Para Carol Sanford, resourcing é a prática de colocar-se como recurso para que o outro — pessoa, organização ou sistema — acesse e desenvolva suas próprias capacidades latentes. Isso implica em criar condições para que ele descubra novos potenciais e fortaleça sua autonomia no processo de desenvolvimento.

Mas como “criar condições” propícias ao desenvolvimento autônomo de sistemas vivos? Continue reading →

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Ética regenerativa

Foto: Theo lonic

A pergunta que move o praticante regenerativo é: como me tornar recurso para o desenvolvimento da vida nessa situação?

A atuação do praticante nessa direção exige mais do que a intenção, embora ela seja o ponto de partida. Suspender o impulso de oferecer respostas e sustentar o olhar em busca de oportunidades genuínas de desenvolvimento é uma musculatura a ser construída com base em prática e repetição.

Nutrir um espaço fértil de desenvolvimento genuíno e realização de potencial pede que renunciemos a nossas expectativas e opiniões para ajudar o outro a enxergar novos potenciais por si mesmo e a fazer escolhas mais conectadas com seu papel e seu contexto.

Nessa prática, alguns pontos cegos precisam se tornar aparentes: Continue reading →

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Uma perspectiva particular de regeneração

Foto: Carlos Magno

O movimento regenerativo é um campo povoado por diferentes entendimentos, muitos deles associados a uma visão genérica de “um mundo mais ecológico”. O desenvolvimento regenerativo faz parte desse movimento mais amplo e contribui com ele oferecendo uma perspectiva particular de regeneração, partindo da premissa de que “o que faz algo regenerativo em seus efeitos é a aplicação de um pensamento regenerativo”.

Reunimos algumas ideias nesse pequeno texto para compartilhar com você algumas das particularidades do desenvolvimento regenerativo e do tipo de mudança que essa abordagem busca provocar.

Após décadas de estudo dos padrões que sustentam a vitalidade e a evolução dos sistemas vivos, e da observação desses mesmos padrões em territórios e comunidades, o grupo Regenesis propõe a seguinte definição:

Regeneração é a construção de relações sinérgicas entre sistemas humanos e naturais, através das quais os atores e iniciativas locais, a partir de seus papeis singulares, contribuem para a saúde, resiliência e evolução do seu lugar.

Regeneração não é, portanto, um novo nome para sustentabilidade, nem um rótulo para melhorias incrementais. Não se trata de “fazer o bem” ou gerar “impacto positivo”. A regeneração está relacionada à presença e recuperação da vida e da vitalidade de um sistema como um todo, e exige um compromisso com os processos sistêmicos e dinâmicos que acontecem ali. Continue reading →

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Mercado Novo — Uma experiência de regeneração urbana em Belo Horizonte

Flávio Tavares

O Mercado Novo, localizado no centro de Belo Horizonte, tornou-se um exemplo vibrante de regeneração urbana e cultural. Originalmente concebido nos anos 1960 como um centro comercial, o espaço passou décadas subutilizado até que, nos últimos anos, um movimento espontâneo de empreendedores, artistas e coletivos começou a utilizá-lo com um novo propósito.

Antes de se tornar um atrativo turístico e polo de cultura, gastronomia e economia criativa, o Mercado Novo era um espaço pouco conhecido. Diferente do vizinho Mercado Central, que sempre manteve um fluxo intenso de visitantes e turistas, o edifício não alcançou inicialmente o protagonismo esperado. Durante décadas abrigou principalmente gráficas, papelarias e pequenas lojas de atacado, funcionando de maneira discreta, quase invisível na dinâmica urbana da cidade. O envelhecimento do prédio, os estandes vazios e a pouca movimentação fizeram com que ele passasse a ser visto como um espaço degradado.

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Entre o otimismo superficial e o realismo desanimador

Foto: Vincent Van Zalinge

Recentemente li um desabafo da Nora Bateson em que ela falava da “complexidade e enormidade do emaranhamento sistêmico das situações desta era”.

Na experiência dela, na minha, e imagino que na sua também, é difícil não ficar desmoralizado diante da obscuridade que se apresenta no mundo.

A sensação de estar sem saída e de não estar contribuindo de forma significativa e o desânimo por não ter perspectivas de futuro seguras e animadoras são recorrentes na experiência de quem busca viver e trabalhar com responsabilidade e sentido.

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Posted by Juliana Diniz in Texto rápido, 1 comment

Objetivos regenerativos

Como gerar um processo em que os objetivos estabelecidos por um projeto impulsionam a evolução dos seus lugares?

Como fazer com que os projetos prosperem mesmo depois da saída dos seus iniciadores?

Nas últimas semanas estivemos trabalhando na Capacitação em Desenvolvimento Regenerativo a importância de tomar o potencial local como fundamento dos projetos. Agora vamos trabalhar as características que devem ter os objetivos de um projeto que pretende contribuir para a regeneração do seu território.

Aproveitamos para postar no blog do IDR um pouco do que estamos discutindo.

Começando pelo potencial local

Identificar o potencial local cria as condições iniciais para o envolvimento dos projetos com os seus lugares. Ver um novo potencial é quase sempre uma fonte de energia, mas aproveitar e investir essa energia para levar um projeto adiante requer o estabelecimento de objetivos estratégicos. É através da definição de objetivos apropriados que ambos, o projeto e o seu lugar, podem realmente evoluir.

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Posted by Juliana Diniz, 1 comment
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