No primeiro encontro do Programa de Desenvolvimento do Profissional de Impacto trabalhamos a ideia de resourcing — ser recurso a serviço do desenvolvimento da vida.
Para Carol Sanford, resourcing é a prática de colocar-se como recurso para que o outro — pessoa, organização ou sistema — acesse e desenvolva suas próprias capacidades latentes. Isso implica em criar condições para que ele descubra novos potenciais e fortaleça sua autonomia no processo de desenvolvimento.
Mas como “criar condições” propícias ao desenvolvimento autônomo de sistemas vivos?
Parte desse trabalho é perceber e modelar, ou remodelar, campos de energia. Essa é uma capacidade fundamental da pessoa-recurso.
Isso porque diferentes campos possibilitam diferentes atividades, processos e resultados. O que os sistemas em que atuamos são capazes de manifestar depende totalmente do campo em que se inserem as ações e intenções das pessoas.
Certamente, você se lembra de algum momento em que a sua ação produziu um resultado contrário do pretendido. Começar uma conversa a fim de resolver um conflito (em um momento inapropriado), forçar ou dar como certo acordos em um cenário mais amplo de indefinição (a nosso contragosto), pressupor adesão e engajamento do outro em projetos pessoais (anunciados como coletivos) são exemplos comuns que demonstram nossa inconsciência, ou negligência, dos campos que nos rodeiam.
O princípio dos campos de energia diz que:
há padrões organizadores de energia que influenciam o tipo e a qualidade de atividade que está acontecendo em um sistema.
Esse princípio nos lembra que nossas ideias e ações não acontecem no vácuo. Elas se somam a um conjunto de outras ideias, intenções, gestos, expectativas, memórias, e muito mais, que compõem uma determinada atmosfera social, seja de uma simples interação ou de uma grande e complexa instituição.
O ponto é que não se pode forçar que coisas aconteçam se os campos não são favoráveis a elas. O que somos capazes de alcançar não depende apenas do quanto nos esforçamos ou do poder da nossa intenção, mas das qualidades presentes nos campos sociais em que atuamos.
Isso não significa que estamos fatalmente vulneráveis aos campos — pelo menos não se estivermos conscientes deles. Perceber os campos é o primeiro passo para intervir de forma a criar condições tanto para que uma atividade intencionada cumpra seu propósito quanto, e principalmente, para que os potenciais latentes de desenvolvimento de um sistema se manifestem.
Nota de destaque
- Aproveitar a energia disponível e qualidades presentes no campo
- Alinhar nossa ação com processos emergentes
- Se tornar consciente dos campo e intervir estrategicamente para criar condições favoráveis ao desenvolvimento
Esse é o tema do próximo workshop do nosso Programa de Desenvolvimento, que acontece nos dias 16 e 17 de setembro. Vamos trabalhar a capacidade de perceber e modular campos de energia nas situações do nosso dia a dia.
Estamos no começo do Programa. Se você pensa em se juntar, este é um ótimo momento!