Inventário do samba em Uberlândia e Araguari

Inventário participativo para reconhecer, valorizar e salvaguardar as diferentes expressões do samba nos municípios de Uberlândia e Araguari

Relatório de Execução

Velha Guarda da Tabajara. Foto: Acervo da Tabajara
Mestre Bolinho (João Rodrigues). Foto: João Rodrigues/Arquivo Pessoal
Samba do Seu Zé. Foto: Instagram

Resultados do projeto

O projeto Inventário e Mapeamento das Expressões do Samba no Triângulo Mineiro teve como objetivo identificar, documentar e valorizar manifestações culturais relacionadas ao samba nos municípios de Uberlândia e Araguari (MG), contribuindo para o processo de reconhecimento e patrimonialização do samba no estado de Minas Gerais.

A iniciativa foi realizada com base na metodologia do Inventário Cultural Participativo (ICP) preconizada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha), envolvendo a mobilização de grupos e pessoas de referência do samba na região.

Ao longo da execução foram realizadas atividades de pesquisa bibliográfica e em acervo, levantamento de grupos e detentores da tradição do samba, mobilização e articulação local, fóruns de escuta, encontros presenciais para a produção do inventário, produção de registros fotográficos e audiovisuais, sistematização do conhecimento, elaboração do relatório do inventário e divulgação pública dos resultados do projeto.

O projeto resultou na articulação das redes locais do samba e na produção de registros inéditos dos grupos atuantes, das pessoas e dos lugares de referência e de memórias do samba nos municípios de Uberlândia e Araguari, atuando diretamente na valorização desta expressão cultural e contribuindo para a construção das bases documentais e políticas para se avançar em ações de salvaguarda e promoção do samba enquanto bem cultural destes municípios.

Importante dizer que, além de gerar conhecimento sobre o samba no Triângulo Mineiro, o projeto promoveu encontros entre grupos e detentores, frequentemente vinculados a outras expressões culturais como as Congadas e religiões de matrizes africanas, fortalecendo práticas culturais afro-brasileiras e ampliando sua visibilidade na região.

Ações desenvolvidas

1. Pesquisa de campo e mobilização

Data: setembro de 2025 a janeiro de 2026 

Local: presencial

A equipe realizou entrevistas, conversas informais e articulação direta com representantes dos grupos e detentores, inserindo-se na agenda local do samba na região. Em Uberlândia, visitamos os principais espaços de samba da cidade, conversamos com representantes de grupos em atividade atualmente, participamos dos ensaios das escolas de samba e fizemos uma ampla mobilização através de conversas online, via ligação e whatsapp, refinando o levantamento inicial (registros em anexo). Essa etapa permitiu identificar e mobilizar os participantes para as oficinas participativas do inventário.

Galeria

2. Fórum de escuta online

Data: 10 de dez. 2025

Local: online

Em dezembro realizamos um encontro online, no formato de fórum de escuta, para apresentar formalmente o projeto à comunidade e construir de forma participativa o fluxo de trabalho das oficinas presenciais do inventário. Também ouvimos os participantes sobre potenciais e desafios enfrentados pela comunidade do samba na região.

3. Fórum de escuta presencial em Uberlândia

Data: 5 de dez. 2025

Local: Oficina Cultural

Endereço: Praça Clarimundo Carneiro, 204 - Fundinho, Uberlândia - MG

Participamos do Fórum de Escuta do Samba em Uberlândia, realizado pelo Iepha em parceria com a secretária municipal de cultura, onde a comunidade local foi ouvida para que suas percepções e demandas fossem incluídas no processo de registro estadual do samba em andamento no órgão. Nesse encontro, o projeto do inventário foi apresentando como parte do processo mais amplo de registro, fortalecendo as parcerias institucionais e a credibilidade do projeto junto à comunidade local.

4. Oficinas do Inventário Cultural Participativo em Uberlândia e Araguari

Data: 17 e 18 de jan. 2026 das 9h às 18h

Local: Centro de Memória da Cultura Negra Graça do Aché (UFU)
Endereço: Av. Cesário Crosara, 4187 - Pres. Roosevelt, Uberlândia - MG

Local: Espaço CUFA (antigo AFA Clube)
Endereço: R. dos Portadores, 20 - Goiás, Araguari - MG

Foram realizados encontros presenciais para a produção do ICP nos municípios de Uberlândia e Araguari, reunindo a comunidade local do samba para uma oficina participativa e celebração cultural.

Em Uberlândia, a oficina começou com um café mineiro servido como boas-vindas, seguido da apresentação do projeto, de noções básicas do campo do patrimônio cultural e de uma roda de apresentação de todos os presentes já indicando quais eram as suas principais referências do samba. Durante a apresentação, a facilitação consistiu na listagem das referências a partir de categorias previamente definidas (espaços, grupos/rodas, pessoas de referência, escolas e blocos). Durante o horário de almoço, foi servida feijoada preparada localmente. À tarde os participantes preencheram as fichas do ICP.

Em Araguari, o encontro do inventário teve um fluxo diferente, envolvendo mais diretamente a participação da comunidade no desenho e facilitação do encontro. Durante a manhã cumprimos a agenda de apresentação do projeto e de identificação das referências do samba da comunidade. Durante a tarde o preenchimento das fichas se deu em paralelo a uma roda de samba. A equipe apoiou o preenchimento das fichas ajudando um a um a registrar suas referências. Através da iniciativa do mestre Zulu, foram convidados sambistas locais e a escola de samba Extravasa (de Uberlândia) para se apresentarem ao longo do encontro. Em Araguari, o encontro foi mais do que uma oficina de trabalho, tendo sido também um momento de celebração cultural e de uma importante reunião de uma comunidade que vem de um histórico de desmobilização e fragmentação desde que o Carnaval deixou de ser apoiado pela prefeitura do município.

Uberlândia

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Vídeos

Araguari

Galeria

Vídeos

5. Sistematização do conhecimento e registros

Após os encontros, a equipe realizou a organização e sistematização do conhecimento coletivo produzido, incluindo a transcrição das fichas de inventário, a análise da pesquisa bibliográfica e em acervo, a organização dos registros fotográficos e audiovisuais e, finalmente, a produção do relatório técnico do inventário cultural participativo.

Por que isso importa

O samba nasceu da resistência do povo negro, atravessou o tempo e se reinventou em cada canto do Brasil. Apesar dos poucos estudos sobre as expressões do samba em Minas Gerais, sabemos que é uma prática cultural atual em território mineiro, tendo grupos e coletivos em diversas regiões do estado que expressam suas identidades e territorialidades através dos batuques e rodas nos quintais, terreiros, bares, desfiles, entre outros espaços.

Em Minas, a história do samba é vasta, mas ainda pouco conhecida fora da capital. Uberlândia e Araguari possuem uma forte tradição no samba, com conexões históricas com a Congada e outras práticas afro-brasileiras. Mapear, documentar, registrar e valorizar as diferentes expressões deste bem cultural, na região do Triângulo, é um ato de memória, de justiça e de futuro.

Grupo Samba Trio. Foto: Prefeitura de Uberlândia
Grupo Pé de Samba. Foto: Instagram
Terrerão do Samba. Foto: Facebook

Nossos objetivos

Identificar grupos, coletivos, mestres, espaços e práticas associadas ao samba nos municípios de Uberlândia e Araguari.

Subsidiar, com dados qualificados e pesquisas regionalizadas, o processo de patrimonialização do samba em Minas Gerais em andamento no Iepha.

Valorizar e fortalecer o samba no Triângulo Mineiro, proporcionando encontros entre grupos e detentores e espaços de participação social para a construção coletiva do registro deste bem cultural.

Tabajara. Foto: Valter de Paula/SECOM/PMU
Foto: Danilo Henriques/SECOM/PMU
Unidos do Chatão. Foto: g1
Foto: Samba das Minas
Foto: Samba das Minas
Foto: Samba das Minas

Cronograma

O que são Inventários Culturais Participativos

Os Inventários Culturais Participativos (ICP) são uma metodologia de pesquisa e valorização do patrimônio cultural que coloca a comunidade como protagonista. Diferente de inventários técnicos tradicionais, os ICP não apenas registram dados, mas constroem conhecimento de forma coletiva e dialogada, tendo como principais características:

Protagonismo comunitário: são os próprios detentores dos saberes e práticas que decidem o que é importante ser registrado.

Educação patrimonial: cada etapa é também um processo de formação, em que se aprende sobre memória, identidade, território e cidadania.

Participação social: valorizam o encontro entre diferentes gerações e grupos, fortalecendo laços comunitários.

Flexibilidade metodológica: adaptam-se às especificidades culturais e territoriais de cada localidade.

Dimensão ética: todo registro respeita a autoria e o consentimento dos envolvidos.

Os ICP não têm caráter burocrático de reconhecimento oficial, mas sim formativo e participativo. Eles estimulam a valorização das práticas locais e servem de base para políticas de preservação e salvaguarda do patrimônio, transformando o ato de inventariar em uma experiência viva de pertencimento e valorização das culturas locais.

Foto: Tabajara Sociedade Recreativa
Foto: Tabajara Sociedade Recreativa
Foto: Tabajara Sociedade Recreativa

Quem faz acontecer

O projeto é parte do processo de registro do samba em Minas Gerais, iniciativa do Iepha, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de fomento à cultura, repassados através da Secretaria de Cultura do Estado de Minas Gerais.

A concepção e execução do projeto é feita por equipe que atua no campo do patrimônio cultural. Conta com o apoio direto das comunidades, coletivos e mestres do samba em Uberlândia e Araguari — sem os quais nenhum registro seria possível ou teria sentido.

 

Realização

 

Apoio

 

Equipe

Juliana Diniz
Coordenação, pesquisa e facilitação

Cientista social e antropóloga com experiência nos campos do patrimônio cultural, culturas populares e conhecimentos tradicionais

Michelle Silva
Mobilização, pesquisa e apoio logístico

Técnica administrativa em educação, graduada em pedagogia e direito, com experiência em produção cultural, além de artista e capoeirista

Felipe Tavares
Comunicação, pesquisa e audiovisual

Engenheiro ambiental com experiência em diagnósticos sócio-participativos e gestão de projetos socioambientais