Decolonialidade

Perspectivas latinoamericanas

Com rigor acadêmico e liberdade criativa, este curso oferece uma visão ampla e aprofundada do paradigma decolonial a partir de perspectivas latinoamericanas.

Sobre o curso

Foto: Juliana Diniz

O curso evidencia as formas como reproduzimos a colonialidade na forma de ser, pensar-sentir, conduzir projetos, participar da vida e, sobretudo, se relacionar com o outro e com a natureza. E faz o convite para a interrupção de hábitos coloniais e descolonização do próprio imaginário em relação às narrativas únicas que orientam a forma como vivemos para que possamos aprender com as perspectivas de grupos sociais, cujas identidades foram subalternizadas, sobre saídas diante o colapso da modernidade e caminhos sentido mundos pluriversais. Está apoiado em artigos autorais fundamentados academicamente, na curadoria de conteúdosencontros online que pretendem, respectivamente, engajar múltiplas sensibilidades e fazer sentido do processo de aprendizagem.

Ementa

  1. Colonialismo, colonialismo moderno e colonialidade
  2. Descolonização x decolonialidade
  3. Narrativas míticas da modernidade
  4. Controvérsias sobre as ideias de descoberta e conquista
  5. Colonialidade do poder
  6. Colonialidade do saber
  7. Colonialidade do ser
  8. Colonialidade da natureza
  9. Genocídio, ecocídio e justiça socioecológica
  10. Projetos decoloniais: Desobediência epistêmica e identidade na política
  11. Práticas decoloniais: Pluriversidades e centros de saúde intercultural
  12. Práticas decoloniais: Estados plurinacionais e direitos da natureza
  13. Protagonismo dos povos indígenas e populações tradicionais nos projetos decoloniais
  14. Decolonizar x indianizar o mundo
  15. Autoimplicação diante estruturas e imaginários colonizados
  16. Sinalizando rumo a futuros decoloniais
  17. Seguindo adiante

Agenda

  • 11/10, segunda-feira: Abertura do curso na plataforma da comunidade
  • 14/10, quinta-feira, às 19h: Aula 1 – Modernidade: perspectivas em disputa
  • 25/10, segunda-feira, às 19h: Aula 2 – Antropoceno, capitaloceno e colonialidade da natureza
  • 09/11, terça-feira, às 19h: Aula 3 – Virada decolonial, projetos pluriversais e retomada indígenas
  • 24/11, quarta-feira, às 18h: Encontro com Julia Machado (sobre feminismos comunitários decoloniais)
  • 07/12, terça-feira, às 20h: Encontro com Camilla Cardoso e Dino Siwek do Terra Adentro (sobre futuros decoloniais)
  • 15/12, quarta-feira, às 19h: Encontro de encerramento

Os encontros são via zoom com a duração de 1h30 a 2 horas.

Comunidade online

O curso acontece durante os meses de outubro e novembro no Círculo Regenerativo, a nossa comunidade de aprendizagem online. Isso significa que você terá acesso a todo o conteúdo da comunidade incluindo os cursos anteriores e gravação de aulas e encontros.

Apagamento de mundos

“Um” mundo está em crise e não “o” mundo está em crise.

O problema é que esse mundo, a civilização ocidental moderna, se globalizou às custas do apagamento de muitos mundos.

Na medida em que demonstra ser incapaz de responder aos problemas que cria — desigualdade social abissal e emergência climática, apenas para citar alguns — esse mundo é chamado a se recolher e interromper seu projeto colonizador e globalizante.

As premissas, teorias, práticas, políticas etc. deste mundo, que usamos para nos orientar nele, se mostram não só insuficientes, mas tremendamente equivocadas.

A base desse equívoco é a separação inventada entre natureza e cultura, corpo e alma, matéria e espírito, tradicional e moderno, selvagem e civilizado etc. para justificar a violência sistemática produzida pelos europeus e euro-americanos aos corpos, vidas, territórios e sistemas de conhecimento dos povos que pretenderam escravizar e dizimar para levar adiante a fantasia ocidental do progresso civilizatório.

Os regimes econômicos exploratórios, o atentado contra os ecossistemas naturais, o cancelamento de direitos sociais e de autodeterminação dos povos, o desencantamento do mundo… são os sintomas aparentes do colapso de um modo de ser e habitar que se pretendeu universal e já há muito tempo se mostra assassino e suicida.

Outros mundos resistem e re-existem apesar do confronto colonial. E são estes mundos outros que podem nos oferecer perspectivas e direções radicalmente diferentes daquelas que nos trouxeram até aqui.

O nosso desafio está em ser capaz de dialogar a aprender com eles sem reproduzir dinâmicas coloniais transformando, por exemplo, as cosmovisões e sistemas de conhecimento indígenas e tradicionais em recursos utilitários para nossa sobrevivência.

Ou seja, nós precisamos descolonizar tanto nosso imaginário sobre o que é possível e desejável quanto a nossa forma de nos relacionar com perspectivas outras do que é possível e desejável.

Nesse processo, o primeiro passo é o reconhecimento genuíno da nossa cumplicidade nas violências sistêmicas que garantem nossos privilégios. O segundo passo é a renúncia de alguns dos nossos privilégios — aqueles associados às ideias de autoridade, legitimidade e coerência que tornam o outro insuficiente, equivocado, dispensável. O terceiro passo é alargar nossa capacidade de desaprender e estar desorientado para ser capaz de realmente aprender a se orientar de novas e antes impensáveis maneiras. O quarto passo é, depois de se lançar, sustentar esse processo, sem expectativas e garantias, consciente de que de vez em sempre se ocupará o lugar colonizador do qual se pretendia afastar.

O fio que conduz a descolonização é o da auto-implicação nos processos estruturais. O nosso compromisso deve ser o de assumir que quase tudo que aprendemos, somos e fazemos reproduz dinâmicas coloniais, e interrompê-las. Embora não nos sirva a culpa das coisas serem assim, é nossa a possibilidade e a responsabilidade em fazer diferente.

Esse compromisso pode significar a possibilidade de vivermos de maneira menos ingênua e mais dialógica, de nos relacionarmos de forma mais ampla e responsável e, quem sabe, contribuir na emergência de um novo mundo onde caibam muitos mundos — da tessitura de um pluriverso — em que co-existem e interagem múltiplos, ricos, diversos e complementares modos de participar da vida.

Facilitação

Juliana Diniz é cientista social com ênfase em antropologia, co-fundadora do Instituto de Desenvolvimento Regenerativo, facilitadora do Gaia Education e do Trabalho Que Reconecta. Realizou pesquisas acadêmicas nas áreas de etnologia indígena e paradigma decolonial e trabalhou junto a povos indígenas, populações tradicionais e campesinas em movimentos sociais. Fundamentada na fenomenologia, ecofilosofia e desenvolvimento regenerativo, facilita processos de aprendizagem e transformação pessoal e coletiva que promovam saúde planetária e protejam a memória biocultural da Terra.