desenvolvimento regenerativo

A ponte

A ponte

O desenvolvimento regenerativo é fascinante. Ele resolve, no seu contexto, um paradoxo chave e abre caminhos para a construção de um mundo viável. Vou explicar.

Existe um vão. De um lado há uma terra fértil para ideias inovadoras. Esta é a casa de pensadores extraordinários e a maior preocupação destas pessoas é captar a inteligência da vida.

Estes mestres perceberam que os maiores problemas do mundo possuem origem no pensamento em si. Assim, dedicam as suas vidas a entenderem as falhas da visão de mundo dominante para que seja possível fundamentar um novo pensamento. Esta é a construção de uma nova ciência para orientar a sociedade: a visão de mundo dos sistemas vivos.

Do outro lado deste vão há uma paisagem árida e rochosa que pede por intervenção direta. Este lado abriga os fazedores. São idealistas que acreditam que um mundo mais bonito é possível e que para realizá-lo é preciso construí-lo ativamente, parte por parte, agora.

Assim, dedicam as suas vidas edificar paisagens sociais harmônicas: realizam projetos transformadores, fazem conexões e viabilizam a transformação. Com suor e lágrimas tornam realidade uma visão inovadora.

Acontece que entre a teoria e a prática regenerativa existe um obstáculo natural, este vão, que surge a partir da natureza distinta entre estas duas atividades: o pensar e o agir. Mas, sabemos que teoria e prática são complementares indissociáveis. Assim, um nunca estará completo sem a presença do outro. Precisamos, então, de uma ponte que os conecte.

Esta ponte precisa estar bem ancorada no solo fértil das ideias e no solo rochoso da prática. Ela deve ser robusta, generosa e testada. Deve existir uma via de mão dupla onde as ideias fluam para a ação e a ação esteja fundamentada em uma boa teoria.

E é aqui que o desenvolvimento regenerativo se mostra indispensável e fascinante. Este é um método de concepção e execução de projetos capaz de internalizar as teorias mais avançadas do pensamento ecológico e transformá-las em princípios e quadros conceituais capazes de orientar a prática. É a ponte que conecta o pensar e o fazer.

O praticante familiarizado com esta metodologia é capaz de enxergar e captar os princípios básicos de organização da vida. É capaz, também, de transformar estes princípios em diretrizes que vão materializar esta visão inovadora no projeto em que se está trabalhando.

Além de pensar de forma holística é necessário trabalhar de forma holística. Para tanto, precisamos de um método coerente, honesto e robusto. E esta é a contribuição única do desenvolvimento regenerativo.

Foto: Federico Beccari

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Projetos que se tornam legados

Projetos que se tornam legados

Se o seu objetivo é criar um projeto de impacto positivo, não comece pelo projeto em si, comece pelo lugar que ele ocupa.

A sustentabilidade de um sistema vivo está ligada diretamente com a sua integração benéfica com o sistema maior de que faz parte.

Assim, no início de um projeto regenerativo a nossa atenção está toda voltada para o lugar.

Desta forma, a primeira tarefa que temos é uma investigação que nos oriente no entendimento deste lugar.

Quais as suas características únicas, como se dão os seus relacionamentos? Qual a vontade desse lugar? Qual a sua essência, o seu espírito?

Nessa investigação dois conceitos são fundamentais: aninhamento e interdependência.

Estar aninhado significa que existe um padrão de organização de sistemas dentro de sistemas e um interesse mútuo entre esses diferentes níveis baseado nas energias que são trocadas através deles.

Se a saúde de um nível se deteriora a saúde dos demais níveis são afetadas. Perceba como a deterioração dos rins, por exemplo, reflete no corpo todo.

Se nós quisermos criar projetos que são regenerativos então teremos que entender os sistemas que eles estão aninhados pois são estes sistemas que nós iremos regenerar.

Desta perspectiva, o potencial que emerge do lugar advém do relacionamento entre o que torna um lugar único e o valor que esta singularidade pode levar para o sistema maior em que ele está aninhado.

Assim, a busca primordial do desenvolvimento regenerativo é revelar um papel singular que seja capaz de contribuir significativamente para a saúde do lugar em questão.

Desta forma, temos projetos que se tornam indispensáveis para a comunidade de vida local.

Projetos que se tornam legados e fonte de inspiração.

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Entendendo a regeneração

Entendendo a regeneração

O primeiro passo para entender a regeneração é reconhecer que a vida se organiza em sistemas aninhados, ou seja, sistemas dentro de sistemas.

Depois é necessário compreender que cada organismo vivo possui um potencial que surge a partir de suas características únicas, de sua essência.

Este potencial, quando trabalhado e revelado, nos informa um papel regenerativo a ser desempenhado.

Este papel reflete uma atividade que permitirá com que o projeto realize uma contribuição única para a saúde e vitalidade do sistema maior em que ele está inserido.

Nesta dança opera o princípio da reciprocidade. Eu contribuo para a saúde do sistema em que estou inserido assim como este contribui diretamente para a minha saúde e prosperidade.

Assim, uma iniciativa é regenerativa a medida em que ela desempenha um papel capaz de contribuir para a vitalidade do sistema em que ela está inserida.

Agora pergunte a si mesmo: qual a contribuição que faço para o sistema de que faço parte?

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Uma abordagem ecológica para a regeneração em escala

Uma abordagem ecológica para a regeneração em escala

A vida se organiza em sistemas dentro de sistemas. Tomar consciência e ganhar clareza deste padrão é crucial para que possamos pensar projetos capazes de realizar a transformação sistêmica que desejamos.

Os melhores guias de design para a regeneração são os princípios ecológicos. Um entendimento dos padrões fundamentais da natureza proporciona uma base sólida para a intervenção em ambientes socioecológicos de forma que é possível reestabelecer a harmonia que foi quebrada anteriormente pela aplicação dos princípios mecanicistas e pela simplificação dos sistemas vivos (BENNE e MANG, 2015). Este artigo explora três princípios ecológicos capazes de aumentar o entendimento de como é possível trabalhar o desenvolvimento regenerativo em escala.

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A regeneração é um paradigma — o que isso quer dizer?

A regeneração é um paradigma — o que isso quer dizer?

A regeneração é um paradigma fruto de uma visão de mundo particular, a visão de mundo dos sistemas vivos.

Como visão de mundo entenda uma forma particular de enxergar, entender e se relacionar com o contexto em que estamos inseridos. Para tanto, é necessário um conjunto específico de ferramentas capazes de materializar esta visão particular. Este conjunto de ferramentas é o paradigma associado.

Sendo um paradigma, a regeneração é fundamentada em conceitos e crenças particulares sobre como o mundo funciona.

Entre eles está a percepção de que todos os seres vivos são únicos e se organizam de forma aninhada com outros sistemas vivos maiores.

E também o pressuposto de que todo organismo vivo possui, a partir de suas características únicas, um potencial inerente capaz de beneficiar o sistema maior a que pertence.

Desta forma, temos que a regeneração só acontece a partir de uma relação de reciprocidade onde uma entidade viva realiza um papel capaz de gerar saúde e vitalidade para o sistema em que está inserida e que, por sua vez, é beneficiada por este sistema maior.

Assim, o paradigma regenerativo não é uma forma prescrita de se fazer as coisas. É um processo que requer educação e desenvolvimento onde aprendemos a ver o mundo com novos olhos.

O desenvolvimento regenerativo nos serve, então, oferecendo quadros conceituais que orientam nossos pensamentos de forma a alinhar as atividades humanas com a inteligência dos sistemas vivos.

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Regeneração – um catalisador para a evolução de sistemas vivos

Regeneração – um catalisador para a evolução de sistemas vivos

Sistemas vivos saudáveis estão constantemente ocupados em realizar quatro diferentes naturezas de trabalho. Todas elas são necessárias para que uma entidade viva se sustente e se desenvolva no ambiente dinâmico e complexo a que pertence.

Formulado por Charles Krone, o quadro conceitual “níveis de trabalho” descreve estas diferentes naturezas. Os níveis inferiores, operar e manter, focam em aspectos da existência, ou seja, no que já existe hoje. Já os níveis superiores, aprimorar e regenerar, focam em aspectos potenciais, isto é, o que poderia mas ainda não existe.

Em um sistema evolutivo o nível regenerar funciona como um guia para os demais permitindo que o sistema como um todo evolua em harmonia com o seu ambiente. Profissionais devem utilizar este quadro conceitual para pensar uma integração consciente entre todos os níveis de trabalho. Além disso, a partir desta formulação é possível visualizar como e onde diferentes abordagens de sustentabilidade servem e como elas podem ser potencializadas se estiverem organizadas em torno de um objetivo regenerativo (Mang e Haggard, 2016).

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Primeiras mudanças para a prática regenerativa

Primeiras mudanças para a prática regenerativa

Alinhar o desenvolvimento social com a inteligência dos sistemas vivos passa necessariamente por uma mudança no pensamento, em como nos vemos e em como trabalhamos

Cultivar uma nova mentalidade

Os principais problemas da humanidade possuem origem no pensamento em si. Ainda está vigente uma visão de mundo desatualizada, industrialista, dominadora e patriarcal. Reduzimos a complexidade do mundo em linhas retas e em processos de causa e efeito. Transformamos tudo o que se move e cresce em máquinas newtonianas. Se a complexidade e incerteza se apresentam ficamos paralisados e tratamos logo de identificar qual peça dessa máquina iremos reparar, trocar ou remover.

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Desenvolvimento regenerativo, uma evolução na discussão em sustentabilidade

Desenvolvimento regenerativo, uma evolução na discussão em sustentabilidade

O que o desenvolvimento sustentável é para o desenvolvimento econômico convencional, o desenvolvimento regenerativo é para o desenvolvimento sustentável.

O desenvolvimento regenerativo contrapõe a ideia do desenvolvimento sustentável de que o melhor que o ambiente construído pode ser é “neutro” em relação ao mundo vivo. Entende-se, a partir desta nova visão, que os ambientes construídos podem produzir mais energia e recursos do que consomem e que podem funcionar como catalisadores da saúde dos lugares em que estão inseridos. Esta prática de design é descrita como uma que constrói capacidades, e não coisas.
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As três linhas de trabalho do desenvolvimento regenerativo

As três linhas de trabalho do desenvolvimento regenerativo

“Tornar-se um praticante regenerativo requer tanto o desenvolvimento das capacidades e potenciais de si mesmo e do seu time quanto o desenvolvimento destas qualidades em projetos e comunidades.” — Regenesis

O desenvolvimento regenerativo é um método de inovação transformativa que oferece uma série de quadros conceituais a fim de facilitar novas formas de se pensar a partir da visão sistêmica da vida. Uma das ideias mais básicas e cruciais está representada na tríade chamada “três linhas de trabalho”.

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Um novo papel para os seres humanos

Um novo papel para os seres humanos

O desenvolvimento regenerativo é uma metodologia prática de desenvolvimento de projetos que funciona como um convite para a transformação da maneira como enxergamos e interagimos com o mundo. É uma oportunidade, nascida da crise, de reavaliarmos o papel que os seres humanos desempenham na teia da vida e realizarmos o potencial de gerar mais vida e prosperidade do que seria possível sem a presença humana na Terra.

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