Mês: fevereiro 2019

Frear é o primeiro passo

Frear é o primeiro passo

A sustentabilidade busca melhorias relativas.

A pergunta é: como posso reduzir o meu impacto ambiental?

A resposta costuma vir acompanhada de números. É possível reduzir 10% do consumo de energia, 25% do consumo de água, 20% de resíduos…

A atenção está voltada para diminuir o ritmo com que degradamos o planeta. Mas isso não impede o fim trágico.

Se estamos em um carro se movendo sentido a um abismo, reduzir a velocidade com que ele se aproxima não salvará os passageiros de um triste fim.

Mas, ao perceber a tragédia a nossa frente, reduzir a velocidade é o primeiro passo para que se possa fazer a curva com segurança.

A sustentabilidade nos ajuda a frear. Agora, precisamos de um farol que nos ajude a fazer a curva no sentido certo rumo a um mundo viável regenerativo.

Foto: Louis Maniquet

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Distúrbio generativo

Distúrbio generativo

De modo geral, somos avessos às perturbações em nosso cotidiano. Procuramos, na maioria das vezes, um caminho seguro e conhecido sem que haja grandes mudanças.

Acontece que a principal força evolutiva em sistemas vivos são os distúrbios.

Segundo a Teoria da Cognição de Santiago, sistemas vivos respondem a distúrbios com mudanças estruturais, isto é, mudanças na estrutura física, cerebral, celular… e o faz de forma a “escolher” quais distúrbios responder e como responder.

Uma floresta sem distúrbios está fadada ao declínio. Em um ecossistema, o único equilíbrio que existe é o equilíbrio dinâmico que incorpora as mudanças como eventos capazes de promover a evolução.

Assim, para alinhar a nossa mentalidade com a inteligência da vida podemos começar fazendo as pazes com os distúrbios — com os eventos de caos e destruição — e entendê-los como uma força natural necessária ao equilíbrio dinâmico evolutivo.

Aquele evento que não estávamos esperando, o desaparecimento de algo que nos dava a sensação de segurança ou mudanças forçadas repentinas e totais podem ser eventos capazes de gerar mudanças evolutivas.

Talvez não seja possível escolher se queremos ou não responder a um evento, mas sempre será possível escolher como responder. Qual aprendizado é possível incorporar a partir disso? Como isso pode me aprimorar ou como este evento pode me levar a novos rumos?

O Brasil vive hoje um grande e profundo distúrbio estrutural, uma afronta inimaginável aos rumos de um país pautado no respeito, inteligência e integralidade. Um desrespeito à sua própria história.

Diante disso estamos escolhendo responder de que forma?

Desejo que este momento faça florescer em nós a vontade e consistência necessária para trabalharmos as nossas habilidades enquanto agentes de mudança, empreendedores ecossociais, estrategistas organizacionais, guerreiros da sustentabilidade, líderes compassivos… ou seja, a nossa capacidade para a liderança regenerativa.

Desejo que cada um de nós possa começar a construir ou ampliar o seu legado conectado ao seu senso de propósito mais energizante. Agora.

Foto: Ryan Loughlin

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Design de culturas regenerativas

Design de culturas regenerativas

Daniel Wahl, autor de Design de Culturas Regenerativas, estará no Brasil em Março para uma série de palestras e cursos e para o lançamento do seu livro em edição brasileira. Abaixo segue a resenha do livro.

Há cinquenta anos a humanidade foi presenteada com a primeira foto da Terra tirada da órbita lunar, o nascer-da-terra ou earthrise. Esta imagem — a Terra flutuando no vazio negro do espaço — mudou para sempre a perspectiva de como a enxergamos e de como nos enxergamos nela. Foi o primeiro momento em que pudemos coletivamente nos afastar e ter uma visão ampla o suficiente para perceber que estamos todos habitando um mesmo barco, a espaçonave Gaia.

Hoje, cinquenta anos depois, ainda temos dificuldade em assimilar o que significa e o que requer de nós morar em uma mesma casa flutuante. Precisamos nos afastar ainda mais. É necessário realizarmos uma perspectiva ecofilosófica capaz de perceber o significado de sermos humanos e habitantes de Gaia.

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O espectador, o participante e o salto mortal

O espectador, o participante e o salto mortal

O espectador é aquela pessoa que assiste ao mundo desenrolar na sua frente. Ela sobe no barco, mas nunca assume o leme. Ela está à mercê do sistema. Está à deriva.

Já o participante jamais se deixa levar. Esta pessoa possui uma direção clara e fará os ajustes necessários para seguir no sentido da sua visão. Ela participa ativamente na criação do mundo.
Passar de espectador para participante exige um salto.

É como subir no trampolim de dez metros e ficar paralisado pelo medo. O medo de que algo possa dar errado, o medo de ferir a própria existência.

E então ter a coragem de reconhecer que esse medo não possui lastro e que o perigo é o medo que me bloqueia.

E então o salto. E outro, e outro.

Para nos tornarmos participantes precisamos nos acostumar a saltar no vazio. A encarar o medo e fazer as pazes com a incerteza.

Foto: Johannes Plenio

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A nova zona de segurança

A nova zona de segurança

Conformidade, padrão e regras estabelecidas, ou seja, o jogo do trabalho convencional, costumava ser a nossa zona de segurança e ao mesmo tempo a nossa zona de conforto.

É confortável a sensação de segurança e de certeza, mas estar confortavelmente dormente ao ocupar um papel substituível não é mais seguro.

Apesar da nossa zona de conforto ser a mesma, a nossa zona de segurança mudou.

Vivemos em um mundo em que a conformidade não é mais recompensada. A sociedade, hoje, na economia da conexão, valoriza aquelas pessoas corajosas capazes de fazer um trabalho surpreendente.

A zona de segurança, então, está na capacidade de surpreender. Está na capacidade de fazer um trabalho significativo e em criar conexão.

É preciso sair da zona de conforto para entrar na nova zona de segurança. Você pode fazer diferente e pode fazer melhor do que sempre fizeram.

Você é capaz, com o seu coração e com toda a sua coragem, de fazer algo surpreendentemente significativo que irá mudar o jeito como as coisas são feitas. Algo mais generoso, mais humano, mais atento e mais profundo.

Com intenção e coragem podemos transformar os nossos projetos e o nosso trabalho em legados para a sociedade, em contribuições significativas que são essenciais para a vitalidade do nosso local de interação.

Nessa jornada precisamos de duas coisas. De uma mentalidade de aprendizagem por toda a vida e de uma comunidade de apoio.

Juntos, podemos nos tornar indispensáveis e insubstituíveis.

Uma boa avaliação que podemos fazer é nos perguntar: se eu me retirar agora quem verdadeiramente sentirá a minha falta?

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