Mês: novembro 2018

Há duas formas de se trabalhar

Há duas formas de se trabalhar

A primeira é gerenciando a entropia. Ou seja, a tentativa de controlar a desordem das coisas.

Naturalmente a vitalidade de um sistema decai com o tempo. Esta abordagem busca manter as coisas operando como estão ao tentar controlar a entropia.

Para tanto, a atenção é voltada para os problemas e gargalos. Onde houver um ponto em deterioração, faça-se um remendo.

A segunda forma de se trabalhar é cultivando a sintropia.

Sintropia é o oposto de entropia. Ou seja, é a capacidade de organização, complexificação e evolução de um sistema.

É o princípio universal dos sistemas vivos que possibilita o desenvolvimento e a evolução.

Trabalhar para a sintropia é dançar com o plano do potencial, das possibilidades do vir a ser.

Assim, podemos nos perguntar: qual potencial está presente que se realizado permitirá o sistema evoluir a ordens maiores de organização? Este problema é resultado de qual potencial não desenvolvido?

Focar na resolução de problemas é como andar para frente só que olhando para trás.

Focar no potencial é utilizar os problemas como ponto de alavancagem para um futuro melhor.

Posted by Felipe Tavares in Texto rápido, 0 comments
A era ecológica (parte 3)

A era ecológica (parte 3)

Precisamos confrontar a força mítica da ilusão do paraíso industrial, superar o enfeitiçamento pelas cidades e indústrias e parar de terceirizar para a tecnologia as soluções que nos exigem autorresponsabilidade e mudança de paradigma

Essa sequência de três textos intitulados “A era ecológica” é inspirada pelas reflexões de Thomas Berry no livro “O sonho da Terra”. Ele é considerado um dos grandes nomes do pensamento ecológico. Exerceu os ofícios de sacerdote católico, historiador cultural, eco-teólogo e gostava de ser referido como cosmólogo e acadêmico da Terra.

Nos dois textos anteriores vimos que a era ecológica é uma passagem necessária da humanidade na Terra. A humanidade vive hoje a iniciação à sua fase adulta. Tornaremo-nos minimamente maduros em relação ao destino da Terra e à nossa participação nele na medida em que reconhecermos os princípios orientadores do cosmos e incorporamos a agenda de princípios para a era ecológica.

Mas, para que isso seja possível é fundamental superar o mito do paraíso industrial que nos faz pensar e agir como pensamos e agimos hoje. Esse mito nos faz crer que o desenvolvimento da humanidade deve acontecer mediante a intensificação modernizadora com avanço tecnológico e crescimento econômico infinito que vem com o saldo inevitável da devastação dos sistemas vivos.

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Posted by Juliana Diniz in Artigo, 0 comments
A era ecológica (parte 2)

A era ecológica (parte 2)

A relação “ser humano e Terra” e uma agenda de princípios orientadores para a era ecológica devem ter centralidade hoje

Essa sequência de três textos intitulados “A era ecológica” é inspirada pelas reflexões de Thomas Berry no livro “O sonho da Terra”. Ele é considerado um dos grandes nomes do pensamento ecológico. Exerceu os ofícios de sacerdote católico, historiador cultural, eco-teólogo e gostava de ser referido como cosmólogo e acadêmico da Terra.

Com um olhar profundo podemos perceber que todos os problemas sociais advém dos problemas da relação “ser humano e natureza”. O ímpeto por colonizar, dominar, explorar, dessubjetivar e desumanizar que se manifesta entre nós tem suas raízes na relação com a Terra.

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Posted by Juliana Diniz in Artigo, 0 comments